Reconta Aí Atualiza Aí FMI recomenda transição para o mundo pós-Covid-19

FMI recomenda transição para o mundo pós-Covid-19

O Fundo Monetário Internacional (FMI), conhecido pelo mundo como indutor de políticas econômicas neoliberais, pede aos governos que preparem a transição econômica para o mundo pós-Covid-19.

Governos de todo o mundo têm trabalhado no combate à pandemia de Covid-19, com medidas emergenciais. Contudo, de acordo com o FMI, está chegando o tempo dos países prepararem planos econômicos para o mundo pós-pandemia.

Para Vitor Gaspar, Paolo Mauro, Catherine Pattillo e Raphael Espinoza, que assinam o documento do Fundo, o principal desafio será a questão do trabalho. Ou melhor, do desemprego.

Na opinião dos autores, os países terão que garantir investimentos, sobretudo as economias emergentes ou subdesenvolvidas. Para tanto, usam os dados do Monitor Fiscal desenvolvido pela instituição.

Os especialistas sugerem que o investimento público deverá ser aumentado em 1%. Com isso, projetam que haverá o fortalecimento tanto na recuperação da economia, quanto no impulsionamento do PIB dos países. Segundo afirmam, o investimento poderá gerar um incremendo na ordem de 2,7% no PIB, assim como na geração de empregos, que aumentará em 1,2%. Obviamente há ressalvas: os investimentos devem ser de alta qualidade , devendo haver um cuidado na análise das dívidas públicas do estado.

Antes da pandemia

O documento aponta que antes da pandemia, o investimento público estava em declínio em todo o mundo. No Brasil, o mesmo ocorreu, por exemplo, com o fim ou o desfinanciamento de programas sociais, principalmente os que constituiram o Programa de Aceleração do Crescimento – o PAC.

Isso ocorreu tanto nas economias avançadas, quanto nas em desenvolvimento. Ainda que a maioria dos países necessitem de obras de acesso à agua potável, infraestrutura, saneamento básico, saúde e educação, essas não foram as prioridades dos governos em países pobres. Isso fez com que não só esses países tivessem mais dificuldades de lidar com o aspecto sanitário da pandemia, como também dificultaram seu crescimento econômico.

Recuperação do mundo pós-Covid-19

Por isso, os especialistas afirmam que a retomada da economia dos países, com geração de emprego e renda, passa por sanar esses problemas fundamentais. E com investimento público.

Para ultrapassar a calamidade será necessário criar – nos países que não há- e reforçar – quando existentes – estruturas das áreas de saúde, educação, segurança habitacional, transportes e infraestrutura digital.

Para tanto colaboram as baixas taxas de juros, que desincentivam o rentismo e a especulação no mercado financeiro, e o imenso contingente de pessoas a procura de trabalho.

Dessa forma, a cada milhão de dólares de dinheiro público investido, é possível gerar até 8 empregos se gasto em infraestrutura. No mesmo sentido, se o milhão de dólares em questão for investido em pesquisa e desenvolvimento, são até 14 empregos.

O mais rápido a ser feito

Medidas de médio e longo prazo são necessárias [contudo, como ensinou o sociólogo Betinho: “Quem tem fome tem presa”]. Assim, há necessidade de se tomar medidas de curto prazo para a recomposição do emprego imediato.

Em outras palavras, os especialistas chancelados pelo FMI sugerem que já está na hora de governos investirem no que é mais rápido. Aumentar a manutenção da infraestrutura já instalada, reiniciarem projetos parados devido à pandemia, acelerar os projetos já em andamento e projetar o futuro., sem deixar de pensar nas prioridades de depois da pandemia.

O papel do Brasil no mundo pós-Covid-19

As perspectivas de investimento público no Brasil são as píores possíveis. Em nome do fiscalismo, o governo tem se eximido da sua responsabilidade de investir, deixando a população ao acaso. De acordo com o último levantamento do IBGE, o Brasil atingiu um recorde do nível de desemprego.

Além disso, as discussões sobre o Teto de Gastos estão interditadas tanto pelo governo quanto pelos especialistas liberais no país. Ao contrário, na atualidade, o governo anda sondando como tirar dinheiro da classe média baixa e dos pobres para garantir a sobrevivência dos mais de 10 milhões de miseráveis.

Além disso, há o completo negacionismo das mudanças climáticas por parte do governo, mesmo que nesse momento ao menos quatro biomas estejam em chamas no Brasil. Amazônia, Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica estão sob serveros incêndios enquanto o governo tenta destruir as legislações que os preservam.

O impacto disso é considerável na reconstrução do mundo pós-Covid-19. O próprio FMI tem fundos para combater as mudanças climáticas em países suscetiveís às grandes secas ou inundações. Contudo, como buscar recursos no mundo quando se destrói os ativos mais preciosos do país?