Reconta Aí – Atualiza Aí Fim do auxílio emergencial, início da pobreza

Fim do auxílio emergencial, início da pobreza

De acordo com estudo da Fundação Getúlio Vargas, o fim do auxílio emergencial levará um terço dos brasileiros para baixo da linha da pobreza.

Atualmente, mesmo com o auxílio emergencial chegando a 65 milhões de brasileiros e brasileiras, 23% dos cidadãos vivem abaixo da linha da pobreza. Contudo, com o fim do benefício emergencial, a FGV calcula que esse percentual chegará pelo menos a 31%.

A linha da extrema pobreza hoje está estabelecida em menos de US$ 67 dólares ao mês por pessoa. Ou seja, qualquer pessoa que viver com até R$ 376,49 ao mês está incluída na parte mais pobre da população do mundo. A cotação foi feita no dia 8 de outubro e pode variar de acordo com o câmbio.

E esse é o cenário mais positivo da pesquisa, já que com a falta de uma política econômica consistente para a saída da pandemia, o desemprego e a falta de renda podem impactar ainda mais os brasileiros.

As expectativas para o emprego continuam sendo péssimas. Com a falta de investimento público, sugerida até pelo FMI, as projeções do mercado são de que no início de 2021, o desemprego atinja entre 17% e 19%. Nesse sentido, acredita-se que o aumento do desemprego se concentrará entre os mais pobres, assim como aconteceu durante a pandemia.

Renda Brasil, Renda Cidadã ou qualquer outro projeto para tirar o Brasil da pobreza

Bolsonaro proibiu qualquer integrante do governo de falar em Renda Brasil. Já em relação ao Renda Cidadã – o novo programa de auxílio estudado pelo governo Bolsonaro, as expectativas não são as melhores.

Em entrevista à Folha de São Paulo, Marcelo Neri, diretor da FGV Social, afirmou: “Em qualquer hipótese, os valores de um novo programa de ajuda serão irrisórios em comparação ao auxílio emergencial”.

Do mesmo modo, Neri completa: ” O nó é que, enquanto a pobreza tende a decolar, o Brasil já gastou quase todo seu seu ‘combustível’ na pandemia, fechando o ano com uma dívida pública de quase 100% do PIB”.

Com o Teto de Gastos em vigor, não há orçamento disponível para a criação de um programa de renda mínima. Entretanto, os economistas do governo, sob a batuta de Paulo Guedes, seguem tentando desviar o orçamento de outras áreas do governo para a criação do Renda Cidadã.

Já tentaram cortar a Farmácia Popular e o Abono Salarial. Também avançaram sobre o Fundeb e buscam outras fontes. Contudo, não será fácil cortar de programa algum, já que a população do País precisa de cada centavo alocado em cada área.