Reconta Aí Atualiza Aí Economia de Francisco: indústria e paz

Economia de Francisco: indústria e paz

Especialistas debatem a possibilidade de construir um mundo novo de paz com as ferramentas que existem na indústria hoje.

Uma nova visão sobre o mundo está emergindo na sociedade. Ela chegou com a consciência de que há problemas globais, que exigem ações coletivas para administrá-los. Dois exemplos que pedem ações imediatas: a pandemia de Covid-19 e a mudança climática. Entretanto, como transformar a lógica econômica que rege a vida, em uma conduta universal voltada à paz?

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O encontro mundial Economia de Francisco foi chamado pelo Papa e está sendo realizado em Assis, na Itália. A ideia do econtro é debater novas possibilidades para a economia mundial, visando a justiça social e um mundo de paz. De acordo com o Papa, a humanidade deve se juntar para “arrumar a casa”, ou seja, o planeta. Para tanto, é preciso que todos se deem conta de que essa “casa” é comum a toda humanidade.

A paz que os economistas devem debater

De acordo com Juan Camilo Cardenas, professor da faculdade de Economia da Universidade Los Andes, na Colômbia, é preciso redefinir o que é paz. Para ele, paz não é só a ausência de guerras, mas também a dignidade e a tranquilidade. Assim, esse bem universal não deve ser encarado apenas pela perspectiva da segurança.

No mesmo sentido, um professor da Universidade Iberoamericana do México contou como desenvolveu uma experiência de construção de um modelo econômico alternativo com indígenas do Vale do Café. Segundo ele, além da recuperação da dignidade dessa população, o projeto garantiu a soberania e segurança alimentar, além de retomar o equilíbrio ecológico com a agroecologia. O projeto tem uma visão indígena que se integra ao mercado e não é dominada pela sua lógica.

A partir dessa perspectiva, Cardenas afirma: “É preciso reconstruir instituições coletivas mais justas e eficientes”. O professor completa que será possível, com elas, implementar uma transição econômica para um mundo mais justo.

Economia, natureza e paz devem ser indissociáveis

É preciso mudar a forma como funciona o sistema econômico, segundo os participantes do evento Economia de Francisco. Para tanto, é preciso que o modelo econômico integre paz, justiça e natureza.

Assim, se propõe que haja uma reflexão acerca dos tipos de reinício que a humanidade já vivenciou. E aprofundar-se no tema incluindo a pergunta: O que desejamos?

Atualmente há ferramentas que questionam o modelo econômico vigente. O microcrédito e a economia criativa, entre outras. Por meio delas, populações historicamente excluídas têm recobrado sua dignidade, assim como o grupo indígena do Vale do Café.

Reconversão industrial a partir da pressão popular

Susi Snyder, presidenta da Campanha Internacional para Abolir Armas Nucleares, também contribuiu para esse debate. Segundo ela, uma forma de combater a promoção das guerras é transformar o dinheiro de “problema” em “solução”.

Sua experiência é a de quem colaborou para sufocar financeiramente empresas que produzem bombas atômicas. E ela pretende expandir essa ação para outras indústrias que geram desigualdades e impedem a paz, como as grandes poluidoras.

Com isso, Snyder acredita que é possível combater os que geram a violência com a paz. Usando os meios existentes para criar um mundo novo, em que a paz seja o valor a ser perseguido.