Reconta Aí Atualiza Aí Dia Internacional da Enfermagem: No Brasil, desvalorização e mortes

Dia Internacional da Enfermagem: No Brasil, desvalorização e mortes

Comemorações dão lugar a protestos no Dia Nacional da Enfermagem no Brasil. Em Brasília, houve protesto.

A Enfermagem pede que o governo Bolsonaro não lave as mãos frente aos 12 mil mortos pelo coronavírus no Brasil.
“Os que lavam as mãos, o fazem em uma bacia de sangue” (Bertold Bretch)
Foto: Jessica Pietrani

Nenhuma categoria está mais exposta aos riscos do Covid-19 do que a enfermagem. Assim como nenhuma outra categoria perdeu tantos profissionais para o coronavírus como a enfermagem. Segundo dados do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) no Brasil, 13 mil enfermeiros estão afetados pelo novo coronavírus e 98 já perderam a vida decorrente da nova doença.

Porém, no Brasil de 2020, enfermeiras e enfermeiros não são ovacionados e agradecidos como em outros países. São alvos de discriminação, desvalorização da profissão e até de violência.

Por isso, nesse 12 de maio, enfermeiras e enfermeiros de Brasília protestaram mais uma vez. Depois do protesto do Dia do Trabalhador – em que esses profissionais sofreram ameaças e agressões – hoje puderam, finalmente, mostrar suas demandas.

O ato, em primeiro lugar, declarou solidariedade aos quase 12 mil mortos pelo coronavírus no Brasil e às suas famílias. Foi organizado por servidores federais, da saúde e ativistas e ocorreu na Torre de TV de Brasília. Contudo, além da solidariedade, os manifestantes denunciaram a forma com que o governo vem conduzindo as ações de enfrentamento à pandemia.

Para tanto, utilizaram um boneco inflável de 10 metros representando o presidente Jair Bolsonaro com as mãos sujas de sangue. A caracterização do boneco representa as atitudes do presidente, como o incentivo ao fim do isolamento e a adoção de medidas que contrariam as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Além disso, os participantes do ato reivindicaram mais investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), bem como a fila única dos leitos e a valorização da profissão e dos profissionais.

A enfermagem quer respeito

O Dia da Enfermagem é comemorado hoje como forma de homenagem à Florence Nightingale. Nascida do dia 12 de maio de 1820 – um marco da enfermagem moderna no mundo, segundo o ministério da Saúde.

Associada aos cuidados, a profissão é historicamente desvalorizada frente à medicina, tendo suas competências e saberes tratados como menores e menos importantes no cuidado com a saúde. Isso se reflete no salário e nas condições de trabalho da categoria.

Há anos, enfermeiras e enfermeiros lutam por uma jornada de trabalho de 30 horas semanais. O Projeto de Lei 2295/2000, que dispõe sobre a jornada de trabalho de 30 horas para Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de Enfermagem, está pronto para ser votado em plenário. Talvez esse fosse a retribuição justa que a sociedade deve a essas e esses profissionais.