Reconta Aí Atualiza Aí Desemprego atinge 12,7 milhões; menos da metade da população em idade de trabalhar está empregada

Desemprego atinge 12,7 milhões; menos da metade da população em idade de trabalhar está empregada

Foto: Roberto Parizotti-Fotos Públicas

A taxa de desemprego subiu para 12,9% no trimestre encerrado em maio e atingiu 12,7 milhões de pessoas. Isso significa 368 mil pessoas à procura de trabalho em relação ao trimestre anterior.

Em três meses, 7,8 milhões de pessoas saíram da população ocupada. É o que revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgada na manhã desta terça-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A taxa de desemprego não reflete a situação mais dramática do mercado de trabalho porque as pessoas não conseguem procurar emprego”, avalia Sérgio Mendonça, economista e diretor do Reconta Aí.

“Não há espaço para procurar emprego: primeiro porque não tem e as pessoas sabem disso; e segundo porque associam  ao risco grande de procurar algo nessa pandemia”, completa.

Segundo a analista da pesquisa do IBGE, Adriana Beringuy, trata-se de uma redução inédita da população ocupada, e atinge principalmente os trabalhadores informais: “Da queda de 7,8 milhões de pessoas ocupadas, 5,8 milhões eram informais”, disse.

E pela primeira vez na história da Pnad Contínua, o número de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar chegou a 49,5% – ou seja, menos da metade. É mais baixo nível da ocupação desde o início da PNAD Contínua, em 2012.

“Pela primeira vez na série histórica da pesquisa, o nível da ocupação ficou abaixo de 50%. Isso significa que menos da metade da população em idade de trabalhar está trabalhando. Isso nunca havia ocorrido na PNAD Contínua”, explica Beringuy.

Sérgio Mendonça considera os dados do IBGE “extremamente preocupantes” pois ainda não captam plenamente os efeitos da crise do novo coronavirus. “Ele pega uma média de março, abril e maio, portanto só 15 dias da crise do coronavirus”, disse. “Talvez no mês de junho a gente tenha o efeito cheio da crise nos próximos dados”. 

Carteira assinada

A pesquisa também mostra que o número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado caiu para 31,1 milhões, menor nível da série, sendo 7,5% abaixo (-2,5 milhões de pessoas) do trimestre anterior e 6,4% abaixo (-2,1 milhões de pessoas a menos) do mesmo período de 2019.

O número de empregados sem carteira assinada no setor privado (9,2 milhões de pessoas) apresentou uma redução de 2,4 milhão de pessoas (-20,8%) em relação ao trimestre anterior e 2,2 milhões de pessoas (-19,0%) em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

O número de trabalhadores por conta própria caiu para 22,4 milhões de pessoas, uma redução de 8,4% frente ao trimestre anterior e de 6,7% frente a igual período de 2019.