Reconta Aí Atualiza Aí Dia da Consciência Negra: desigualdades entre brancos e negros persistem no País

Dia da Consciência Negra: desigualdades entre brancos e negros persistem no País

Mulheres e homens negros enfrentam dificuldades maiores para conseguir uma colocação no mercado de trabalho. Situação de renda e as condições de moradia também são desiguais no país, segundo o IBGE

A desigualdade de inserção ainda existe, de forma acentuada, no mercado de trabalho brasileiro. Negros e negras enfrentam mais obstáculos para conseguir uma colocação e até ganham menos.

“As principais demandas do movimento negro no que diz respeito ao mercado de trabalho é ter a mesma igualdade dos brancos em  relação aos cargos, de não serem discriminados  pela sua cor, de não serem não escolhidos  para os cargos pela sua cor. Então, vamos continuar batalhando, denunciado”, disse Ivone Silva, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

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Ivone relata que as instituições financeiras (bancos) ainda encaram a questão dos negros como incapazes de assumirem determinados cargos.

“É só ver a questão dos trainees: os escolhidos são normalmente pessoas brancas que estão  nas melhores universidades e mesmo quando tem um negro que estudou numa ótima instituição, os bancos não  contratam. E quando eles conseguem entrar nos bancos, estão em cargos que estão escondidos dentro dos prédios. Então, há discriminação”, revela.

O Censo da Diversidade realizado na categoria bancária em 2008 e 2014 mostrou que os negros no setor bancário são extremamente subrepresentados, com apenas 3,4% de pessoas pretas e 21,4% de pardas, sendo que para o mercado de trabalho brasileiro, a população economicamente ativa com ensino superior completo ou incompleto é composta de mais de 52% de negros (pretos ou pardos).

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Trabalho, renda e moradia x desigualdades entre brancos e pretos 

A situação no mercado de trabalho, a renda e as condições de moradia são desiguais no País conforme a cor e raça dos brasileiros. O estudo Síntese de Indicadores Sociais, do IBGE, mostra que pretos ou pardos têm maiores taxas de desocupação e informalidade do que brancos, estão mais presentes nas faixas de pobreza e extrema pobreza e moram com maior frequência em domicílios com algum tipo de inadequação.

Um dos principais indicadores do mercado de trabalho, a taxa de desocupação foi, em 2019, de 9,3%, para brancos, e 13,6% para pretos ou pardos.

Entre as pessoas ocupadas, o percentual de pretos ou pardos em ocupações informais chegou a 47,4%, enquanto entre os trabalhadores brancos foi de 34,5%.

A população ocupada de cor ou raça branca ganhava em média 73,4% mais do que a preta ou parda. Em valores, significava uma renda mensal de trabalho de R$ 2.884 frente a R$ 1.663.

O rendimento-hora de brancos com nível superior era de R$ 33,90, enquanto pretos e pardos com o mesmo nível de instrução ganhavam R$ 23,50 por hora trabalhada.

Entre as pessoas abaixo das linhas de pobreza, 70% eram de cor preta ou parda. A pobreza afetou mais as mulheres pretas ou pardas: 39,8% dos extremamente pobres e 38,1% dos pobres.

Segundo o IBGE, 45,2 milhões de pessoas residiam em 14,2 milhões de domicílios com algum tipo de inadequação. Desta população, 13,5 milhões eram de cor ou raça branca e 31,3 milhões pretos ou pardos.