Reconta Aí Atualiza Aí Caixa Fortalece Aí Cancelamento de concursos na Caixa: “É ruim para quem sonha com o concurso e para os cursinhos”, diz professor

Cancelamento de concursos na Caixa: “É ruim para quem sonha com o concurso e para os cursinhos”, diz professor

A Caixa coloca em funcionamento a partir da semana que vem um Programa de Demissão Voluntária (PDV) que deve atingir 3.500 funcionários da instituição. Mesmo com a demanda crescente por melhorias no atendimento e com a reclamação dos funcionários com relação à sobrecarga, a instituição não realizará novos concursos em um futuro próximo.

Sem novos concursos


Explicamos aqui que a Caixa está proibida pela Justiça de realizar novos concursos até que resolva a situação dos mais de 30 mil aprovados na prova de 2014. Após decisão judicial, o Banco terá de chamar duas mil pessoas com deficiência (PCD), que não dão conta do déficit de pessoal da instituição, principalmente após o PDV. Em 2014, a Caixa contava com 101,5 mil funcionários; após as ações da próxima semana, serão 80 mil.

Entramos em contato com a assessoria de imprensa da Caixa para saber qual é o posicionamento da instituição sobre o assunto. Por e-mail, recebemos a seguinte resposta: “A CAIXA esclarece que não está prevista a realização de novo concurso público. As admissões serão realizadas mediante aproveitamento de candidatos habilitados no Concurso de 2014, conforme necessidade e estratégia do banco”.

Cursinhos preparatórios também se preocupam

Diante disso, conversamos com o professor Alexandre Amorim, que faz parte da coordenação do Processus, um dos cursinhos preparatórios para concurso que atua em Brasília. Para ele, a situação dos concursos da Caixa é ruim tanto para quem sonha com o concurso quanto para o curso preparatório. “A gente sempre enfatiza que o aluno tem que estudar com antecedência, mas fica uma inércia na cabeça dele sem saber se haverá outro certame. Para os preparatórios, o impacto com certeza é negativo, já que existe um corte em uma área que a gente esperava que realizasse concurso a cada quatro anos”, diz.

O valor do funcionário público

Além disso, Alexandre enfatiza a importância do funcionário público. “Se o cidadão opta por abrir sua conta em um banco público é porque ele quer ser atendido por funcionários públicos. Atualmente, essa visão liberal do Estado Mínimo desvaloriza os funcionários públicos e isso tem um impacto negativo para toda a sociedade. Aqui em Brasília, por exemplo, são eles que fazem a máquina girar”, declarou.

Para Jair Pedro Ferreira, presidente da Federação Nacional dos Economiários (FENAE), a falta de concursos implica diretamente na precarização dos serviços. “Quando a gente ouve que não vai ter realização de concurso, vamos ter a precarização dos serviços públicos […] Nós já vivemos isso no passado, Vai ter terceirização, a sociedade vai pagar um preço maior”. Veja trecho da entrevista:

Jair Ferreira, presidente da FENAE

Atualização às 18h56: Por e-mail, a Caixa respondeu aos nossos questionamentos sobre a precarização dos serviços com o desligamento dos funcionários: “A CAIXA esclarece que o programa de desligamento de empregados é uma importante ferramenta para que o banco alcance eficiência com redução de custos na execução dos processos. Informamos ainda que o programa é acompanhado de outras ações, como por exemplo a otimização tecnológica e automatização de serviços, de forma a não gerar impactos à continuidade da realização dos negócios da empresa pelos empregados”.