Reconta Aí – Atualiza Aí Bolsonaro renega Guedes mais uma vez

Bolsonaro renega Guedes mais uma vez

Há quem aposte que o eterno ‘diz que me diz’ entre Bolsonaro e Guedes é teatro, mas o certo é que o ministro da Economia perde prestígio.

Para viabilizar o Renda Brasil – o Bolsa Família com a grife Bolsonaro – Paulo Guedes já propôs penalizar os pobres de todas as formas. Primeiro, com o corte da Famácia Popular, Abono Salarial e Salário Fámila. Hoje (15), a imprensa afirmou que Guedes propôs o congelamento de aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) por dois anos.

Nesse “vai que cola” Paulo Guedes não pensou por um momento sequer em taxar os mais ricos. Uma tecla que a oposição de esquerda vem batendo há anos para garantir justiça tributária e uma possibilidade de transferência de renda.

Bolsonaro ensina a Guedes: quem taxa os pobres, taxa a Deus (e não se reelege)

Contudo, Bolsonaro está de olho nos efeitos, sobretudo eleitorais, que poderiam ser ocasionados por esse congelamento. Em um País – que segundo o economista Márcio Pochmann – tem somente 47,9% da sua população em idade de trabalho ocupada, a renda dos aposentados sustenta famílias.

Por isso, logo após o anúncio de congelmento das aposentadorias, Bolsonaro proibiu o Renda Brasil. E finalmente sucumbiu a própria deficiência do seu governo em articular um plano econômico para livrar os brasileiros da crise econômica. O presidente ainda prometeu prosseguir com o Bolsa Família, o programa de transferência de renda dos governos petistas até 2022.

Teatro para furar o teto de gastos?

A pergunta que os que acompanham as celeumas entre Bolsonaro e Guedes é até quando o último conseguirá se segurar no cargo. Apresentado como Bolsonaro à imprensa como seu “Posto Ipiranga”, a verdade é que ele tem sido um saco de pancadas do capitão.

Depois de bravatas anunciando sua saída caso não tivesse seus planos satisfeitos – durante a Reforma da Previdência, quando foi criticado por ser misógino com a primeira-dama francesa,por exemplo – o ministro da Economia parece não ligar para as desautorizações constantes do presidente Bolsonaro à sua equipe no ministério da Economia.

O Teto de Gastos impossibilita o governo de fazer qualquer investimento que faça o país superar a crise em que se econtra. Assim, é possível que mesmo dizendo que não, Bolsonaro esteja tentando furá-lo para deixar alguma marca em seu governo. Porém, para não contrariar a opinião pública e nem o mercado, ele tenha que usar o subterfúgio de dizer que está sem saída.

Essa guerra de um ego contra um ministro que só quer vender o País mostra que por seus objetivos Guedes aceita, com resiliência, a humilhação pública. E que talvez esse seja um jogo de cartas marcadas para que ambos, Bolsonaro e Guedes, atendam seus objetivos, que apesar de diferentes convergem para a destruição do Estado.