Reconta Aí Atualiza Aí Bancários denunciam omissões do setor financeiro durante pandemia

Bancários denunciam omissões do setor financeiro durante pandemia

Foto: Seeb/SP

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Dirigentes de entidades representativas de trabalhadores no setor financeiro têm denunciado a atuação dos bancos no contexto da pandemia do novo coronavírus. Segundo os bancários, as instituições financeiras – seguindo o Governo Federal – não estão sendo coerentes na proteção de seus empregados e do público atendido.

As críticas ocorreram durante um debate virtual promovido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e conduzido pela presidenta da entidade, Juvandia Moreira.

Cleiton dos Santos Silva, da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro Norte (Fetec-CN), iniciou a discussão apontando como a pandemia revelou – e intensificou – disparidades sociais e regionais.

“As realidades da pandemia nestas duas regiões [Norte e Centro-Oeste] são completamente díspares. A situação da região Norte realmente chama a atenção, é de fato alarmante”, afirmou. Segundo Silva, o resultado de diversas negociações entre bancários e instituições financeiras não se concretizaram.

“No começo, instalamos a mesa. Mas muitas coisas que foram acordadas não foram para a frente. Os bancos não têm agido como deveriam. O impacto disso na categoria bancária, por exemplo, é de 17 mortes de bancários no Pará. São números absurdos. Os bancos têm que assumir suas responsabilidades”, complementou.

Representante de uma entidade de trabalhadores no estado com maior número de casos absolutos, Aline Molina, da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito de São Paulo, ressaltou que a omissão dos bancos se soma à irresponsabilidade de autoridades governamentais.

“Essa flexibilização deveria ocorrer com a curva em trajetória descendente e nenhum instituto aponta que esteja ocorrendo essa queda [em São Paulo]. Os bancários estão especificamente preocupados com o retorno das atividades. Sem política pública não existe isolamento possível, as pessoas querem ficar em casa, mas não têm meios para isso”, disse.

Ela citou ainda o fato de que os bancos convocaram trabalhadores para cumprirem suas funções em meio a antecipação de feriados em São Paulo: “Não cumpriram o que foi determinado pelo estado e pelo município. Depois vimos que foram medidas que não tiveram grande efeito [no número de casos], mas os bancos não colaboraram”.

Jacir Zimmer, da Federação dos Trabalhadores em Instituições Financeiras de Santa Catarina (Fetrafi SC), mencionou o caso de Blumenau – cidade em seu estado, que se notabilizou pela reabertura prematura de shopping centers.

“Eu não tenho dúvida de que o presidente e o governo do estado têm responsabilidade em causar confusão. Se o conjunto da sociedade não se proteger, invariavelmente seremos vítimas”, ponderou.

Juvandia Moreira destacou que a Contraf deve divulgar, em breve, um protocolo firmado junto ao Ministério Público Federal em que diretrizes para a atuação dos bancos durante a pandemia são estabelecidos.

Além disso, abordou a questão da Medida Provisória 936, que foi aprovada na Câmara e que, entre outras coisas, garantiu a permanência dos acordos coletivos de trabalho para além da data-base, mas por outro, abriu a possibilidade para a ampliação da jornada de bancários.

“São negociações importantes de se fazer no Senado. Poderia ter havido um número muito maior de demissões. Temos que lutar para que ela seja melhorada e aprovada”, defendeu.