Reconta Aí Atualiza Aí Auxílio emergencial de R$ 300 não paga nem uma cesta básica

Auxílio emergencial de R$ 300 não paga nem uma cesta básica

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O presidente Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes se acham os “salvadores da pátria” por terem prorrogado o auxílio emergencial até dezembro com valor de R$ 300 cada parcela. O fato é que se o valor de R$ 600 já era pouco para as famílias sobreviverem nesta pandemia, a metade disso agrava muito mais a situação.

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Com esse dinheiro não é possível comprar uma cesta básica de alimentos completa para alimentar as famílias. Junte a isso os valores do gás, da água e da luz, que estão sofrendo reajustes mesmo durante a pandemia.

A última Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que em julho, os preços variaram entre R$ 392,75 e R$ 526,14.

De acordo com a economista e supervisora de pesquisas do Dieese, Patrícia Costa, o preço da cesta básica vem diminuindo nos últimos meses. Mas, em compensação, produtos como arroz, café, feijão e carne vêm subindo e acumulando alta muito acima da inflação.

“Tem muita gente na rua com dificuldade de comprar comida. As pessoas estão escolhendo entre pagar a conta de luz ou comprar comida. Reduzir o auxílio emergencial pela metade dá a entender que o País está crescendo. Mas isso não está acontecendo. A pandemia ainda está aí”, explica Patrícia.

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Desemprego

Pnad Covid-19 mensal, divulgada dia 20 de agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que, em julho, a taxa de desocupação no Brasil subiu de 12,4% para 13,1%. Isso quer dizer que são mais 438 mil pessoas sem emprego, na comparação com junho, totalizando 12,3 milhões de desempregados.

Patrícia alerta que é exatamente neste momento, onde as pessoas estão perdendo o emprego, que elas precisam de renda para passar pela pandemia. O auxílio emergencial repõe parte da renda perdida pelas famílias.

Segundo a economista, não existe nenhuma política de investimento ou de crescimento que vá gerar nos próximos meses trabalho e emprego para esses brasileiros. “Se tivesse esse anúncio com medidas efetivas de criação de emprego e renda para essas pessoas, tudo bem. Mas isso não existe”, destaca Patrícia.

Bolsa Família

Durante o anúncio da redução do valor do auxílio para R$ 300, o presidente Bolsonaro disse que o montante basicamente atende todos os brasileiros por ser superior a 50% do valor do Bolsa Família.

A técnica do Dieese alerta que não se pode comparar o Bolsa Família com o auxílio emergencial pois são para finalidades diferentes. “O auxílio é para um momento emergencial de pandemia, onde o capitalismo mundial parou. Já o Bolsa Família vai para pessoas que mesmo fora de uma pandemia, não conseguem sobreviver e estão a margem da sociedade”, afirma Patrícia.

A economista diz ainda que é preciso entender que esse dinheiro do auxílio vem dos impostos dos contribuintes. “Todos pagam imposto para que o governo proteja a população nesses momentos em que mais se precisa”, finaliza.