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Associar a varíola dos macacos (monkeypox) a homossexuais é um erro, avaliam especialistas

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Varíola do Macaco

Associar a varíola dos macacos apenas a homens gays pode ser um erro de estratégia de combate que gerará prejuízos, estigmas e preconceitos como os vividos com o HIV/Aids. Essa é a opinião expressa no último editorial da Revista Brasileira de Enfermagem (REBEn), que traz reflexões sobre o tema.

Apesar de não ser uma infecção sexualmente transmissível e sim uma zoonose viral, a varíola dos macacos - ou monkeypox, como vem sendo nomeada internacionalmente a doença - vem sendo tratada, inclusive por órgãos internacionais de saúde, como uma doença que afeta principalmente homens homossexuais.

Álvaro Francisco Lopes de Sousa, Anderson Reis de Sousa e Inês Fronteira, autores do editorial, afirmam que mesmo com um número desproporcional de casos entre a população de homens que fazem sexo com homens (HSH), homens que fazem sexo com mulheres (HSM) e mulheres, a doença pode atingir igualmente a todas populações. E, por isso, a estratégia da Organização Mundial de Saúde (OMS), que prioriza as ações apenas aos homens gays, é um erro. Os autores vão além e afirmam que essa estratégia particulariza e coloca a dimensão da sexualidade em primeiro lugar, gerando preconceito contra essa população já vulnerabilizada.

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Sintomas da varíola dos macacos (monkeypox)

A varíola dos macacos tem uma incubação média de seis a 13 dias. Os especialistas alertam que há sintomas que ficam presente entre três e cinco dias:

  • Febre,
  • Cefaleias (dor de cabeça);
  • Linfadenopatia (aumento dos linfonodos ou gânglios);
  • Astenia e mialgias(fraqueza e dores musculares.

Já as erupções cutâneas (pústulas), sintoma visível da doença, surgem de um a três dias após o aparecimento de febre. As pústulas tendem a ficar localizadas em maior número no rosto e extremidades do corpo, mas também nas mucosas da boca, genitais e olhos. Normalmente as erupções somem de duas a quatro semanas.

Estratégia focada em população de homens que fazem sexo com homens remonta ao HIV/Aids

O editorial da revista é ancorado em fatos históricos sobre epidemias. Principalmente nas semelhanças e diferenças das ações tomadas em relação ao HIV/Aids, surgida há cerca de 40 anos. Os especialistas questionam se as estratégias adotadas para a monkeypox não são as mesmas que falharam - com repercussões atuais - adotadas em relação ao HIV.

De acordo com eles, a estigmatização da varíola dos macacos pode levar à demora no diagnóstico da doença e a vergonha de procurar cuidados em saúde, por receio de hostilização pela população e até mesmo preconceitos nos equipamentos de saúde.

“Relacionar a orientação sexual com o vírus monkeypox não faz qualquer sentido, já que existem opções de comunicação que se podem mostrar igualmente efetivas, como, por exemplo, focar na prática de relações sexuais entre indivíduos infetados, sem categorizar sexualidades ou práticas em específicos, assumindo uma posição globalizada das ações sanitárias e de controle epidemiológico”, explica Álvaro Francisco Lopes de Sousa, editor científico da Revista Brasileira de Enfermagem.

Com informações da Agência Bori.