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Artigo – Trajetória e desafios das mulheres na Caixa

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Imagem do site Recontaai.com.br

Por Rita Serrano, representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa e coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas

Os dados do 3º Censo da Diversidade da categoria bancária deverão ser divulgados até o final deste mês de março. Informações preliminares já reveladas, porém, dão conta de que a desigualdade entre bancários e bancárias permanece, com as trabalhadoras ganhando menos e em cargos de menor poder.

Especificamente na Caixa, único banco brasileiro feminino até no nome, é fundamental destacar avanços importantes conquistados ao longo dos anos, mas também necessário, ainda, ultrapassar barreiras para se chegar a um ambiente de igualdade.

A Caixa é banco pioneiro na contratação de mão de obra feminina, e isso no começo do século passado, com a chegada da bancária Aurora Gouveia. Também é o único banco cuja presidência foi ocupada por mulheres: com Maria Fernanda, seguida de Mirian Belchior. Seus empregados elegeram a primeira mulher para o Conselho de Administração, e com minha recente reeleição sou hoje a única presença feminina no colegiado. 

Desafios

Mas, mesmo com esses marcos históricos, os desafios continuam grandes no dia a dia. Muito embora as mulheres representem em torno de 45% dos empregados e sejam as que mais estudam, somente 15% ocupam cargos de dirigentes no conglomerado Caixa. São dados que comprovam que, identicamente a outros setores da sociedade, é na ascensão que a discriminação se consolida, e exemplos não faltam pelo País.

No Judiciário, por exemplo, as mulheres perfazem 37% dos magistrados, mas somente 10% dos cargos principais são ocupados por elas. Menos de 10% dos CAs das grandes empresas contam com mulheres.

Segundo levantamento da União Interparlamentar, o Brasil ocupa a 156ª posição de um total de 190 países na participação feminina em cargos políticos; no Parlamento brasileiro, representamos 15% e somente uma governadora foi eleita. E, quanto menos poder e representatividade, mais distantes ficam as conquistas.

Resistência


Somos vítimas de feminicídio (só em São Paulo, entre 2017 e 2018, houve um aumento de 167% nesses casos), de assédio moral e sexual, preteridas em seleções, sobrecarregadas de funções e responsáveis por múltiplos papéis.

Continuamos as principais responsáveis pelas tarefas domésticas, cuidados com filhos e família, o que nos obriga à dupla ou tripla jornada de trabalho. Com tudo isso, resistência também se tornou nosso nome, mas é preciso ir além e exigir o reconhecimento e o espaço que nos cabe no trabalho e na vida.

Juntos, com igualdade e respeito, mulheres e homens podem trilhar o caminho para um mundo de paz, justo e fraterno.