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Apenas um Objetivo de Desenvolvimento Sustentável foi garantido no Brasil

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Economia

Dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sutentável (ODS) definidos internacionalmente pela Nações Unidas, apenas um está relativamente garantido no Brasil. E, ainda assim, sob ameaça.

Esse foi um dos temas do debate "Transição sustentável e a economia brasileira", realizado virtualmente pelo Observatório da Economia Contemporânea do Instituto de Economia da Unicamp.

"Os esforços e compromissos políticos em torno dos ODS variam muito [entre os países]. No Brasil temos bastante experiência, e poderíamos levá-la para o mundo", disse Karin Costa Vazquez, do Center for China and Globalization.

Apesar do acúmulo científico e intelectual em torno do tema, na prática o Brasil se encontra em uma situação difícil. "O cumprimento dos ODS no Brasil está seriamente comprometido. Sete regrediram ou não serão cumpridos até 2030. Nove estão estagnados. Apenas um, relativo à energia tem possibilidade de ser cumprido, mas está ameaçado pela crise hídrica", ressaltou a pesquisadora.

Entre os ODS que sofrerão regressões no último período, estão os relativos ao combate à fome e à pobreza e também em relação à questão do emprego e da renda.

Entre os ODS que sofrerão regressões no último período, estão os relativos ao combate à fome e à pobreza e também em relação à questão do emprego e da renda. Vazques ainda divulgou a agenda da Associação Brasileira de Desenvolvimento para 2030.

O plano mapeou as dificuldades de cada região brasileira em relação aos ODS, identificando problemas específicos de cada local mas também aqueles comuns a todo o país. "É comum a todas as regiões a questão do combate à fome e gargalos no objetivo relativo à igualdade de gênero", ressaltou.

Para superar esse cenário, Vazques defendeu o fomento a projetos que tenham como perspectiva a própria ideia base dos ODS: a de interligação entre as questões.

Paradigmas

"Como a gente multidimensiona a retomada da economia? Temos que superar o paradigma clássico que era pensar unidirecionalmente", disse Carlos Eduardo Frickmann Young, professor de Economia da UFRJ.

Concretamente, isso significa abandonar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) como único indicador de desenvolvimento. O que significa, no fundo, diferenciar as noções de mero crescimento econômico e de desenvolvimento: "Além da atividade econômica, é preciso incorporar elementos de qualidade de vida".

"O crescimento econômico é importante, mas a qualidade também é. Não se trata apenas de crescer o PIB, mas de mudar o PIB. Não é a mesma coisa crescer de modo predatório e de modo sustentável. É necessário construir um estado de expectativa de longo prazo compatível com a sustentabilidade", seguiu Young.

Assim, segundo a visão de Young, o desenvolvimento sustentável tem como condição uma forma superior de atuação de governos, e será marcado por tensões - teóricas, sociais e políticas.

"Precisamos cada vez mais de instrumentos de planejamento e debate. É óbvio que isso envolve algum grau de conflito", sintetizou ele.

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