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Apenas dez estados brasileiros e o DF contam com redes de monitoramento de qualidade do ar

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ar puro

A nova Plataforma de Qualidade do Ar, lançada hoje (30) pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), informará cidadãos de todo o País sobre a qualidade do ar nos estados do Ceará, Pernambuco, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Os demais estados do País não têm rede de monitoramento de qualidade do ar.

Os dados disponíveis na nova versão da Plataforma podem ser acesados clicando aqui. Nela será possível observar a frequência que os sistemas de monitoramento têm apontado sobre a concentração de poluentes do ar recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A recomendação de concentração de poluentes foi diminuida pela primeira vez em 16 anos pela OMS na semana passada, no dia 22. De acordo com a OMS, o objetivo da mudança foi evitar cerca de 7 milhões de mortes prematuras ao ano.

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“Os dados reunidos no novo site demonstram que o monitoramento da qualidade do ar no Brasil é insuficiente tanto na cobertura espacial quanto na cobertura por poluente”, destaca David Tsai, coordenador de projetos do IEMA.

Segundo o IEMA, atualmente, os estados com cobertura mais adequada são Rio de Janeiro, com 125 estações; São Paulo, com 76; e Minas Gerais, com 50. Já os outros estados, como explica a instituição, "têm menos de dez estações de monitoramento da qualidade do ar para o estado inteiro".

O IEMA aponta que o estado de Goiás e o Distrito Federal, por exemplo, não monitoram os principais poluentes de forma automática: material particulado (MP10 e MP2,5), ozônio (O3), dióxido de enxofre (SO2) e monóxido de carbono (CO).

A qualidade do ar

O IEMA explica que um dos poluentes mais perigosos à saúde da população - o material particulado MP 2,5, - foi regulado no Brasil apenas em 2018, sendo ainda monitorado apenas por poucos estados. O estado de São Paulo se destaca pois é uma exceção à regra, já em 2013, fixou limites para o MP2,5.

“O MP2,5  são partículas sólidas ou líquidas finas, que adentram o sistema circulatório do corpo humano gerando problemas de saúde", explica Tsai. “Quanto menor a partícula, mais ela consegue passar pelos ‘filtros’ naturais do organismo como nariz e pulmão, podendo chegar à corrente sanguínea causando diversas doenças”, aprofunda.

A plataforma

Para coletar os dados, o IEMA entrou em contato com os órgãos públicos gestores das redes de monitoramento em cada estado. E, a partir deles, o instituto formatou as informações e as disponibilizou na plataforma. Esse sistema busca corrigir um problema que os estados têm - nem todos possuem um monitoramento automático, que publique as informações na internet em tempo real.

Além disso, a plataforma pretende ser uma ferramenta de análise, que possa facilitar a gestão da qualidade do ar pelas autoridades, levar informações à comunidade científica e à sociedade. O índice utilizado continua sendo o estabelecido pelo Ministério do Meio Ambiente; porém, ele será comparado às novas diretrizes recomendados pela OMS.

A necessidade de expansão do monitoramento e das políticas ambientais

“Precisamos de um robusto esforço de ampliação das redes de monitoramento da qualidade do ar, a partir disso conseguiremos dimensionar e direcionar os esforços para melhorá-las, implantando medidas de redução de emissões”, afirmou Tsai.

Para o IEMA, o monitoramento é o primeiro passo de uma boa gestão da qualidade do ar, que pode ser resumida no seguinte ciclo de ações: "monitorar e verificar a qualidade do ar; identificar as fontes de emissões de poluentes; e adotar medidas de redução de emissões".