Pular para o conteúdo principal

Antropóloga Debora Diniz é alvo de ataques nas redes sociais

Imagem
Arquivo de Imagem
Imagem do site Recontaai.com.br

Após ter sido citada em uma live por Jair Bolsonaro, pesquisadora Debora Diniz volta a ser perseguida no Brasil.

No Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, as notícias para as cientistas são desanimadoras, tanto pelos cortes nos financiamentos à Ciência – promovidos pelo governo, quanto pelo negacionismo, que vitimiza mais uma vez uma mulher – a antropóloga Debora Diniz.

Siga a página do Reconta Aí no Instagram.
Siga a página do Reconta Aí no Facebook.
Adicione o WhatsApp do Reconta Aí para receber nossas informações.
Siga a página do Reconta Aí no Linkedin

Historicamente perseguida

Durante o ano de 2018, Debora – que era professora da Universidade de Brasília (UnB) – defendeu no Supremo Tribunal Federal (STF) o direito ao aborto seguro. Desde então, começou a receber graves ameaças de grupos conservadores.

Orientada pelo Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do Governo, Debora foi embora do Brasil. Atualmente ela mora nos Estados Unidos e trabalha como pesquisadora na Universidade de Brown.

Mesmo exilada, a cientista segue como alvo dos mesmos grupos e pessoas que a perseguem desde 2018. Dessa vez, com o apoio do presidente da República Jair Bolsonaro.

Uma postagem desonesta sobre Debora Diniz

Ao dizer que “Debora Diniz acusa Bolsonaro de ‘perseguição a pedófilos”, o presidente deu a entender que a pesquisadora apoia a prática. O insumo para a publicação veio de uma postagem no Instagram de Diniz, cujo texto completo é reproduzido abaixo:

“A pauta prioritária de Bolsonaro no Congresso Nacional tem de arma em casa e na rua para mais gente; crianças em ensino domiciliar; perseguição a pedófilos; vantagens para agronegócios até perseguição aos povos indígenas.
A perversidade parece complexa, mas não é. Segue a mesma lógica paranoica do patriarca que amplifica o medo para justificar a truculência. Por isso armas e pedófilos estão na mesma agenda: o patriarca espalha o pânico para justificar seu abuso de poder. Inclusive de ser ele mesmo um violentador sexual de crianças ou mulheres.”

Debora Diniz

Maquina de ódio

A pesquisadora passou a receber novamente uma enxurrada de insultos e ameaças por suas redes sociais desde a postagem do presidente. Ainda que acuada, a pesquisadora utilizou redes e contatos com cientistas e ativistas de direitos humanos para se posicionar sobre o tema. “Eu poderia dizer ‘ah, leiam o que foi escrito’. Nunca houve defesa da pedofilia. Há uma demonstração sobre o significado do pacote prioritário ambíguo de Bolsonaro no Congresso Nacional. Pedofilia é abominável”, escreve Diniz.

Porém, ao entender o contexto de negacionismo científico e polarização política, ela mesmo completa: “Mas não é nem limite de leitura tampouco de escrita que move os odiosos”.

Cientistas, pesquisadores, ativistas, movimentos sociais e pessoas de todo o mundo manifestaram solidariedade à Debora Diniz.

Leia também
Depois do “porteiro do prédio”, chegou a fake news da “filha bancária” que se curou com cloroquina