Reconta Aí Atualiza Aí Alto preço das seringas é culpa da falta de planejamento, afirma Padilha

Alto preço das seringas é culpa da falta de planejamento, afirma Padilha

Alexandre Padilha, ministro da Saúde no governo Dilma Rousseff, afirma que a inexistência de planejamento é responsável pela falta de seringas.

Seringas, algodão e outros insumos são fundamentais para que finalmente os brasileiros entrem na era da vacina contra a Covid-19. Entretanto, apesar de terem uma tecnologia simples e serem baratos, tais insumos têm sido um entrave para a imunização em massa.

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De acordo com Alexandre Padilha (PT/SP), ex-ministro da Saúde e atualmente deputado federal, a falta de planejamento do governo Bolsonaro é a responsável por isso.

“Bolsonaro foi alertado sobre a responsabilidade com o País para estimular a produção industrial, inclusive estimulando a reconversão como medida econômica para estimular a geração de empregos. Infelizmente em nenhum momento o Governo Federal coordenou essas ações”

Alexandre Padilha

A reconversão industrial poderia incentivar a indústria em um período de crise. Ao mesmo tempo, gerar empregos e ainda produzir os insumos que estão em falta no País. Ou ainda, baseada em um planejamento de longo prazo, não deixar que esses insumos básicos, como seringas e agulhas, viessem a faltar.

Contudo, essa não foi a opção do governo. Atualmente, os defensores de Bolsonaro apenas repetem que por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), o combate à Covid-19 foi delegado aos governadores.

Qual poderia ter sido o papel do Governo Federal?

Segundo a experiência acumulada na área, Padilha afirma que o governo tinha instrumentos para evitar a crise.

“Ele poderia ter antecipado compras das empresas de seringas em quantidade. Assim como poderia ter oferecido crédito por meio do BNDES, Caixa e Branco do Brasil para estimular a produção. No mesmo sentido, o governo tem os instrumentos de coordenação internacional, podendo inclusive ocupar espaço no mercado externo com os produtos industrializados”

Alexandre Padilha

A população brasileira paga pela inércia

A falta de preparação do governo para a recepção das vacinas está prejudicando o calendário de vacinação no País. Enquanto Israel já vacinou quase 15% de sua população, e outros países já começaram seus programas, o Brasil não aplicou sequer uma vacina.

Segundo Padilha, a falta de preparação dos insumos para possibilitar a vacinação em larga escala é um dos motivos. Mesmo hoje, dois dias depois de proibir a exportação de seringas e agulhas, o governo ainda não conseguiu comprá-las em número suficiente. “Essa medida, de proibir exportação de serigas e agulhas, é tardia. No início da pandemia, os insumos foram largamente exportados, deixando os produtos caríssimos no mercado interno”, relembrou o ex-ministro da Saúde.

Desmonte da Atenção Primária em Saúde

Outra questão que pode prejudicar um futuro Plano de Vacinação é o desmonte da Atenção Primária em Saúde. Padilha, conhecido pela implantação do programa Mais Médicos , afirma que o tema é muito sensível.

“A redução no investimento da Atenção Primária em Saúde, o corte nas equipes e o fim do Mais médicos criam na atenção primária um ambiente de enfraquecimento da resposta à pandemia”

Alexande Padilha

De acordo com ele, as equipes que passam pelos cortes de pessoal são exatamente as que realizam a aplicação de vacinas no País.

“Não à toa, já em 2019, não atingimos as metas vacinais em crianças, e pela primeira vez nesse século”

Alexandre Padilha

Se em 2019 esse desmonte da área já era preocupante, em 2020 e 2021 ele se torna dramático. Muitas das equipes foram mobilizadas para o combate à pandemia, deixando parte da população desassistida.

No mesmo sentido, ainda há previsão da retirada de R$ 35 bilhões do orçamento do Ministério da Saúde, o que agravará ainda mais o quadro. Se as equipes de Atenção Primária já eram insuficientes, como esperar que hoje elas consigam cumprir seu papel, fazendo busca ativa para a vacinação, visitação de famílias, acompanhamento da carteira de vacinação das pessoas e vigilância dos eventos adversos das vacinas?

Faltam seringas, mas não na rede privada

A tentativa das clínicas privadas em obter vacinas na Índia é relacionada ao desespero dos brasileiros, ao verem o País ficando para trás. Contudo, se isso ocorrer, haverá um grave aprofundamento das desigualdades.

“Bolsonaro transformou esse tema do acesso à vacina em uma guerra política”

Alexandre Padilha

Mas não só a rede privada pode aprofundar as desigualdades. Estados e municípios, ao verem a paralisia do Governo Federal, também foram buscar vacinas por conta própria. Dessa forma, há a possibilidade de parte dos brasileiros poder se imunizar e outra, não.

Segundo Padilha, o acesso às vacinas nunca foi uma questão desigual, pois o programa de vacinação brasileiro é amplo. E assim deve ser ser mantido: “A prioridade tem que ser o programa nacional de imunização do SUS”.

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