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Alta do diesel: "Alimentos mais baratos serão mais afetados", avalia economista

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inflação

A Petrobras anunciou recentemente o aumento do preço do diesel em suas refinarias. A partir desta terça-feira (10), o litro do combustível passa de R$ 4,51 para R$ 4,91 - variação de 8,87%. Para entender os efeitos da medida, o Reconta Aí consultou Emílio Chernavsky, doutor em economia. Para ele, os preços dos alimentos mais baratos devem sofrer de forma mais intensa com a variação.

"O aumento do preço dos combustíveis, em especial o do diesel, além do impacto direto sobre a inflação, possui importante impacto indireto ao elevar o custo dos transportes que, por sua vez, afeta o preço de quase todos os bens vendidos no País", inicia ele.

A pressão que o aumento exercerá sobre a inflação, segundo Chernavsky, deve ser entendida sobre duas dimensões: a direta - "os postos de combustível costumam repassar o aumento tão logo ele é anunciado" - e a indireta, com os efeitos sobre os preços de outros produtos.

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"O impacto indireto varia muito de setor a setor, mas pode-se dizer que quanto maior o peso do custo do transporte no preço do bem, mais rápido tende a ser o repasse. Isso faz com que os alimentos, especialmente aqueles de preço relativamente mais baixo, sejam frequentemente mais afetados, o que atinge mais a população de baixa renda, de quem os gastos com alimentação consomem parte relativamente maior do orçamento", explica o economista.

Chernavsky ainda afirma que, do ponto de vista político, apesar dos sucessivos aumentos em derivados do petróleo, é possível sustentar a hipótese de que o governo não tem se desgastado proporcionalmente às elevações. A estabilidade de Jair Bolsonaro (PL) em pesquisas de opinião seria um indício desse fenômeno.

"Parte relevante da população não parece atribuir ao governo e ao presidente, em particular, a responsabilidade pelo aumento de preços dos combustíveis determinado pela Petrobras, apesar da diretoria da empresa, que é quem decide sua política de preços, ser diretamente por ele escolhida", diz.