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Agropecuária perde 1,5 milhão de trabalhadores com o aumento de máquinas no campo

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Imagem do site Recontaai.com.br

Segundo o IBGE, troca de trabalhadores por máquinas não é algo que acontece apenas no setor agropecuário. Agricultura familiar também encolheu no País.

A mão de obra no campo diminuiu nos últimos onze anos por conta da mecanização, ou seja, os trabalhadores rurais foram trocados por máquinas. O número de trabalhadores nas atividades agrícolas passou de 16,6 milhões em 2006 para 15,1 milhões em 2017.

Esse número inclui a perda de 2,2 milhões de trabalhadores na agricultura familiar, segundo dados do Censo Agropecuário 2017, divulgado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em contrapartida, o número de estabelecimentos com tratores aumentou 50% em relação ao último Censo, realizado em 2006. Também aumentou o número de estabelecimentos que utilizam outros tipos de máquinas nas lavouras, como semeadeiras ou plantadeiras, colheitadeiras, adubadeiras ou distribuidoras de calcário, bem como os meios de transportes, como caminhões, motocicletas e aviões. 

Divulgação IBGE

A troca de trabalho manual por máquinas agrícolas tem sido algo crescente e contínuo, segundo o gerente técnico do Censo Agropecuário, Antonio Carlos Florido.

“Quanto mais automação, menos gente na produção. Isso tem acontecido em todos os setores da economia, não é algo restrito ao setor agropecuário”, afirmou.

Como exemplo, o técnico cita que o trabalho braçal vem sendo substituído pelas máquinas agrícolas na colheita de cana de açúcar em São Paulo. Antes, era manual. Ele explica que os trabalhadores colocavam fogo no canavial para, depois, cortarem a cana.

Ele ressalta que uma lei ambiental proibiu a queima da cana, impossibilitando o corte na mão. “Então, tivemos a substituição dessa mão de obra por uma máquina de colher cana”, disse. Cada máquina substitui, em média, 100 pessoas. 

Agricultura familiar –  O Censo Agropecuário de 2017 também destaca que a agricultura familiar encolheu no País. Segundo o IBGE, houve uma redução de 9,5% no número de estabelecimentos classificados como de agricultura familiar, em relação ao último Censo, de 2006. 

O segmento também foi o único a perder mão de obra. A agricultura familiar perdeu um contingente de 2,2 milhões de trabalhadores.

A Lei 11.326  estabelece que para ser classificado como agricultura familiar, o estabelecimento deve ser de pequeno porte; ter metade da força de trabalho familiar; atividade agrícola no estabelecimento deve compor, no mínimo, metade da renda familiar; e ter gestão estritamente familiar.