Reconta Aí Atualiza Aí Caixa ‘A Caixa não pertence a governos, pertence ao Estado e ao povo brasileiro’, diz Rita Serrano

‘A Caixa não pertence a governos, pertence ao Estado e ao povo brasileiro’, diz Rita Serrano

Maria Rita Serrano fala sobre o futuro da Caixa

De acordo com Rita Serrano, respresentante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, é impossível falar em futuro das empresas públicas e da Caixa sem refletir sobre que modelo de Estado os brasileiros querem e precisam.

Em entrevista ao Reconta Aí na noite desta quarta-feira (16), a representante eleita pelos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano, falou sobre o futuro do Banco Público e do País.

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Para Serrano, o futuro da Caixa está ligado ao modelo de Estado adotado para o País. Para ela, há duas possibilidades neste horizonte: a primeira é o modelo do Estado desenvolvimentista, cuja prioridade é a construção de infraestrutura e a manutenção da oferta de serviços públicos. Já a segunda é o Estado mínimo, vertente apoiada pelo atual governo e que coloca em risco a existência da Caixa.

O futuro da Caixa é a privatização?

Na contramão do mundo, o governo brasileiro busca a privatização a qualquer custo. Os Correios – uma das mais antigas empresas públicas brasileiras – já estão na mira, assim como outras estatais que estiveram na lista do ministro Paulo Guedes. Contudo, a situação da Caixa é diferente.

“O processo de privatização se dá de várias formas: vendendo as empresas aos poucos, desmantelando o trabalho das empresas ou mesmo o próprio processo de diminuição do número de servidores e da qualidade do serviço”, explicou Rita Serrano.

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No mesmo sentido, completa: “No caso da Caixa, a tentativa é privatizar a empresa a partir das suas áreas estratégicas, transformando-as em subsidiárias”. Em outras palavras, “fatiar” a Caixa e vender suas áreas mais rentáveis.

A importância dos Bancos Públicos

Segundo o economista e diretor do Reconta Aí, Sérgio Mendonça, “o Banco público não existe fora de uma visão estratégica de desenvolvimento”. E é por isso que das dez maiores empresas do mundo listadas pela Forbes, seis são empresas públicas. Mas não é só isso, três delas são bancos públicos e chineses.

A China é o único país que vem crescendo de maneira consistente há mais de 30 anos. Seus bancos públicos e outras empresas estatais garantem que haja investimento em infraestrutura e assim, há desenvolvimento.

No Brasil, a pandemia mostrou para muitos a importância das instituições públicas. Para além do auxílio emergencial, a Caixa é a maior investidora em habitação do País. Um setor fundamental para a geração de empregos, principalmente para a população que tem maior necessidade. Já o BNDES possui um alto investimento da indústria e o Banco do Brasil, na agricultura.

O presente da Caixa

Atualmente a Caixa está em alta. Além do desenvolvimento em tempo recorde do aplicativo que atendeu mais de 120 milhões de brasileiros, ainda conseguiu operacionalizar o pagamanto.

Além disso, incluiu cerca de 105 milhões de pessoas por meio da poupança digital, tem uma grande capilaridade e atua em todos os municípios do Brasil. Nesse sentido, possui outro dos seus ativos valiosíssimos: os dados de quase toda a população brasileira.

O futuro da Caixa

A Caixa provou seu valor por meio do trabalho incessante de seus empregados. De banco tecnologicamente atrasado, conseguiu fazer um aplicativo que atendeu 7 entre 10 adultos brasileiros.

Da mesma forma, adquiriu expertise para incluir 105 milhões de brasileiros em um de seus produtos mais populares – a poupança digital, assim como tornou mais robusta a sua plataforma [digital].

Entretanto, a partir disso, Rita Serrano desvenda que os planos da diretoria do Banco Público não vão no sentido de fortalecer a Caixa. Ao contrário, pretendem lançar um banco digital, com um outro CNPJ utilizando os grandes ganhos durante a pandemia. O objetivo, como explica Serrano, é vendê-lo em breve – ou seja, privatizar uma nascente muito rentável e de área estratégica.

Esse plano que a diretoria da Caixa compartilha com o Governo Federal vai na contramão do que os bancos privados fazem. Eles possuem plataformas digitais que servem para compor o próprio capital.

“Infelizmente, embora a Caixa tenha se fortalecido, ao invés de valorizar seu papel como Banco Público, já vai monetizar, ou no popular, privatizar”, afirma a representante dos empregados da Caixa.

Contudo, Rita Serrano tem uma mensagem de esperança: “A marca da Caixa é a superação”. E afirma que em seus 160 anos, a Caixa passou por diversos governos e se manteve. No mesmo sentido relembra: “A Caixa não pertence a governos, pertence ao Estado e ao povo brasileiro”.

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