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Governo tem 48 milhões de motivos para se desculpar pelo BNDES

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Imagem do site Recontaai.com.br

Ao valor de 48 milhões de reais, “caixa-preta” do BNDES – que não existia – foi aberta. O saldo é o prejuízo aos cofres públicos, ao Banco e aos investigados.

48 milhões para abrir uma caixa preta inexistente.

O final de uma investigação – que ocorreu de 2018 a 2020, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – foi um alívio para todos os funcionários e ex-funcionários da instituição. Além disso, parece encerrar um período em que o Banco Público esteve na berlinda, sendo investigado não só por auditores estrangeiros, mas também pelo Congresso Nacional, polícias e Justiça brasileiras.

Porém, depois de meia década de escrutínio, as coisas não voltarão a ser como eram antes. Há danos a serem reparados.

Segundo nota emitida pela Associação dos Funcionários do BNDES (AFBNDES), o fim das investigações desconstrói “a fantasiosa ‘caixa-preta’ do BNDES, que políticos demagogos, com objetivos eleitorais mesquinhos, e alguns atores do mercado financeiro, que visam obter vantagens com a redução de tamanho do BNDES, lamentavelmente ainda tentam incutir na opinião pública”.

48 milhões pagam a honra de uma pessoa? E de uma instituição?

A AFBNDES cobra da presidência do BNDES que se “faça uma ampla divulgação de suas conclusões, defendendo a instituição que ela tem por obrigação representar e defender”.

Porém, ao que parece, isso está longe de ocorrer. Em Davos (Suiça), o presidente do Banco, Gustavo Montezano, falou hoje (22) sobre a dificuldade de entendimento de “cidadão comum” sobre a legalidade das transações do BNDES. Ele citou principalmente os negócios que envolvem o porto de Mariel, em Cuba, ou o financiamento de aviões, criticados por Bolsonaro em sua campanha eleitoral.

Sobre isso, o presidente da AFBNDES afirma que “as declarações da atual diretoria continuam cheias de ambiguidade”. Ele tem razão.

Reconstrução

Luciano Coutinho, presidente do Banco entre maio de 2007 e maio de 2016, foi moderado ao comentar o fim das investigações. “O resultado dessa auditoria internacional altamente qualificada foi importante para comprovar a lisura, impessoalidade e integridade das condutas dos funcionários e executivos do BNDES, bem como do rigor de suas decisões colegiadas”, afirmou.

E, sobre os prejuízos que anos de investigação cerrada sobre a instituição trouxeram, Coutinho esclareceu: “É difícil avaliar se a suspeição levantada irresponsavelmente contra a instituição teve impacto financeiro mas, sem sobre de dúvida, gerou prejuízos imensuráveis à reputação do Banco e de seus funcionários”. O ex-presidente ainda ponderou: “além de graves sofrimentos e danos morais às pessoas injustamente acusadas”.

Carlos Thadeu de Freitas, integrante do Conselho de Administração e ex-diretor do BNDES, também se pronunciou. “A diretoria do Banco tinha que pedir desculpas aos funcionários que foram acusados e tiveram que depor na Polícia Federal”, disse ao Estadão. 

Funcionários esperam colocar um ponto final na desconfiança de todo o Brasil sobre o trabalho realizado pela instituição. “Se as conclusões da consultoria ajudarem a redefinir o debate público sobre o BNDES, o valor gasto na sua contratação terá valido a pena”, segundo a nota da AFBNDES.

O 48 milhões de reais já foram gastos, os prejuízos já ocorreram e as desculpas precisam ser dadas. Da parte dos funcionários, há uma saída. “Chega de perder tempo com discussões vazias e discursos demagógicos sobre supostos malfeitos completamente destituídos de evidências”, como afirma a nota.