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32º Congresso do Banco do Brasil traz um panorama do Banco Público

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bb - foto Agência Brasil

O 32º Congresso do Banco do Brasil levou Jean Moreira Rodrigues, economista e historiador, para debater o papel do BB ao longo do tempo. E também a importância de conhecê-lo para projetar um futuro em que o Banco Público siga fundamental para o desenvolvimento do Brasil.

De acordo com Jean Moreira Rodrigues, a indústria financeira passa por transformações cujas características são a volatilidade, a incerteza, a complexidade e a dificuldade de fazer previsões. Rodrigues afirma ainda que as previsões hoje são feitas no máximo de ano a ano, e que necessitam de revisões periódicas. "As novas tecnologias têm transformado a economia e os modelos de negócio", afirma. No mesmo sentido, ressalta que - além de serem rápidas - já estamos vivendo diversas mudanças de paradigmas. Com isso, as maiores empresas na atualidade são do ramo de tecnologia ou varejo, deixando as indústrias tradicionais - como petróleo - para trás.

Entretanto, essas mudanças econômicas não são tranquilas para a humanidade: “Os seres humanos não estão preparados para processar o crescimento exponencial”, afirma o especialista.

A indústria bancária

Em meio a essas mudanças, a indústria bancária é uma das que mais sofreu transformações tecnológicas [e ainda sofrerá mais]. Junto a isso, as características do sistema financeiro brasileiro - altamente concentrado, onde os cinco maiores bancos detêm 81% do volume de crédito; 77% dos ativos totais; e 79% dos depósitos - mostra que a tecnologia vem sendo usada para quebrar os monopólios. Rodrigues traz como argumento as novidades recentes desse mercado, como fintechs, PIX e open banking, que são tentativas de promover maior competição do sistema bancário a fim de diminuir o spread

"Os bancos têm investido muito em canais digitais e os canais tradicionais perdem espaço", afirma Rodrigues. E com isso, segundo ele, está havendo uma mudança dos modelos de negócios, cujas consequências são milhares de agências fechadas no últimos anos, com profundos impactos na economia local e nos empregos.

A tecnologia de ponta convive com o atraso

 Apesar de todas as transformações tecnológicas, 10% dos brasileiros ainda não têm conta em banco e 11% não movimentaram a conta no mês anterior, afirma Rodrigues. Em outras palavras, 21% dos brasileiros não têm acesso aos serviços financeiros. "Não basta abrir uma conta, tem que ter acesso aos serviços financeiros e qualidade para dizer que essa pessoa é bancarizada", explica o especialista.

Por que ter um Banco Público?

 "Nos últimos anos, a literatura econômica aponta quatro motivos que justificam um banco estatal, segundo Rodrigues. São eles: a segurança do sistema bancário, suavizar falhas de mercado, financiar projetos socialmente importantes, promover o acesso aos serviços bancários de populações menos favorecidas. 

A partir desse dado, se vê a importância do Banco do Brasil no País. De 1930 até 1980, coube ao Estado promover o processo de industrialização no Brasil. Todo o processo de industrialização do século vinte foi realizado por meio de financiamento dos Bancos Públicos, principalmente o BB.

Dessa forma, é possível observar que essa disposição de financiar o desenvolvimento do País é política e acontece por ação dos governos.

Como os governos interferem na missão do Banco do Brasil

Rodrigues conta que a estratégia corporativa do BB é feita por um prazo de cinco anos com revisões anuais. E que analisando o direcionamento estratégico do banco de 2011 até agora, é evidente a mudança de foco a partir de 2016.

Antes havia foco na rentabilidade, por sua característica de economia mista, mas também havia foco no desenvolvimento sustentável do Brasil. A partir de 2016, o foco passou a ser muito mais a questão da rentabilidade, compatível com os bancos privados, ao mesmo tempo que o banco deixou de ter o papel de fomento à economia - uma das justificativas de uma empresa pública. Ainda segundo Rodrigues, essa situação se aprofundou no governo Bolsonaro: "Na última estratégia divulgada, não há viés social", afirmou.

Mudanças políticas são necessárias à manutenção do Banco do Brasil

Jean Moreira Rodrigues espera que o Banco do Brasil tenha rentabilidade e promova o desenvolvimento social. Ele explica que a partir de 2023, após as eleições, a reconstrução do Brasil passará por investimentos, sobretudo em novas oportunidades econômicas advindas das mudanças econômicas.