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22º Congresso da Anapar: "Taxa de desemprego deve estar próxima de 25%. A maior da nossa história", afirma Clemente Ganz

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Imagem do site Recontaai.com.br

A retomada da economia brasileira foi tema de um painel de debate no 22º Congresso Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão e dos Beneficiários dos Planos de Saúde de Autogestão nesta quinta-feira (27).

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Na oportunidade, o sociólogo e ex-diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz, comentou os dados da  Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (27).

Ganz estimou que cerca de 11 a 12 milhões de brasileiros não estão procurando efetivamente uma oportunidade de trabalho. "Isso significa que nós temos um desemprego oculto na economia e que provavelmente essa taxa de desemprego deve estar se aproximando de 25%. É a maior taxa de desemprego da nossa história", explicou.

O economista e ex-presidente da Petros, Henrique Jäger, também participou do debate no 22º Congresso da Anapar e ressaltou que durante a pandemia, os países adotaram medidas de proteção ao emprego. Mas no caso do Brasil, não foram adotadas medidas para proteger o emprego dos trabalhadores. "As medidas foram de flexibilização e de precarização das relações de trabalho", frisou.

Na contramão dos últimos anos, a informalidade no Brasil diminuiu durante a pandemia da Covid-19. Ganz revelou que existe uma explicação para esse percentual ter diminuído.

"[Ele] cai pela forma mais perversa, que é o fim do posto de trabalho informal. A informalidade reduziu porque as pessoas que eram ocupadas na economia informal simplesmente foram pra desocupação e inatividade. É o pior resultado possível e significa a nossa falência econômica", disse o sociólogo.

A falta de medidas econômicas para micro e pequenas empresas também é uma preocupação grande para a economia brasileira. Ganz falou que as empresas estão fechando e muitas delas nem chegaram a comunicar o seu encerramento. Segundo o sociólogo, isso traz consequências irrecuperáveis do ponto de vista econômico.

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Privatização e falta de investimento público

Um dos principais objetivos do presidente Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes, é privatizar o máximo de empresas públicas possível. No entanto, existe uma necessidade urgente que o governo apresente um plano de retomada da economia.

De acordo com Jäger, esse governo tem uma incapacidade de formulação e de dialogar com médio e longo prazo. "A não ser com o discurso de que a dinâmica vai ser dada pela iniciativa privada e temos que privatizar", disse o economista ao frisar que não vê capacidade desse governo de apresentar um plano de retomada da economia.

Essa política privatista e a queda do investimento público causam um grande impacto no mundo do trabalho. "Temos no País um processo de queda acentuada do investimento público e o rebatimento do investimento público em queda significa tirar dinamismo no incremento, tanto da produtividade quanto do crescimento econômico", explicou Ganz no Congresso.

O sociólogo alertou ainda que a pandemia vem trazendo problemas inéditos que vão ter impacto direto na economia. No entanto, do ponto de vista sanitário, o Brasil tem uma das piores gestões do enfrentamento da pandemia.

"A gestão que fazemos da crise sanitária é dramática do ponto de vista social e a consequência dessa péssima gestão para a economia é muito grave. Não foi articulada uma estratégia de enfrentamento da crise. O Brasil colherá péssimos resultados", finalizou Ganz.