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22ª CNB: "Eles estão tirando tudo o que o ser humano precisa", afirma Lula

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Imagem do site Recontaai.com.br

Na mesa de abertura da 22ª CNB, Congresso Nacional dos Bancários, Lula, Boulos, Haddad e Flávio Dino são contundentes em suas análises sobre o governo Bolsonaro.

Mesa de abertura do 22º CNB.

Sem tirar Bolsonaro, a luta dos trabalhadores por direitos e contra os retrocessos não será possível. Esse foi o consenso entre os debatedores que fizeram a abertura do 22ª Conferência Nacional dos Bancários (CNB). Com mediação da presidente da Contraf, Juvândia Moreira e da presidente do Sindicato dos Bancários, Ivone Silva, o evento foi transmitido online na noite desta sexta-feira (17) para todo o Brasil.

Definitivamente, esse não foi o único consenso. Lula, Boulos, Haddad e Dino também transmitiram mensagens sobre a necessidade da união para superar o momento crítico pelo qual o Brasil passa hoje, e ainda reafirmaram o valor da democracia.

Nesse sentido, a mensagem sobre a democracia que governador do Maranhão passou foi enfática: “Temos hoje um entulho autoritário para remover”. A frase remonta ao período da redemocratização do Brasil e mostra o quanto em dois anos o governo Bolsonaro, por meio de decretos de Medidas Provisórias, já marcou as legislações do País com um viés autoritário. Dino citou como um desses entulhos a Reforma Sindical – na verdade uma legislação anti-sindical, segundo ele.

“A democracia precisa estar enraizada no peito do povo mais simples”, disse, ressaltando que é obrigação dos governos progressistas responder às demandas sociais para consolidá-la.

22ª CNB e os desafios da sociedade

De acordo com Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST, o País atravessa a maior crise dessa geração. “Aqui, além da pandemia, temos que enfrentar o pandemônio”, afimou Boulos. Enquanto falava sobre a pandemia, ele relembrou que os países com mais mortes no mundo – EUA, Inglaterra e Brasil – são governados pela extrema direita.

Boulos afirma ainda que o Brasil vive uma crise política, econômica e social. E prevê que economicamente, o que sobrará ao País ao fim da pandemia é a queda acentuada do PIB; um cenário de perda imensa de empregos e uma precarização da vida.

Para o líder do movimento social, “todas as crises se resumem em uma crise, de modelo e de valores”. Para ele, a pandemia é trágica e deixará um rastro de morte e luto: “A lógica que coloca o lucro acima da vida leva a perversidade”. 

É preciso se ater as guerras que são nossas

Em um gesto que demonstra a união das esquerdas na construção de um novo futuro, Haddad reiterou a fala de Boulos, que o precedeu. E buscou tratar da inserção do Brasil no mundo, esmiuçando o novo Plano Nacional de Defesa.

De acordo com ele, os militares estão pedindo um orçamento adicional de R$ 50 milhões por ano. Isso equivale a metade do que se economizou com a reforma da previdência, que penalizou a parcela mais pobre do País. Tal plano tem como justificativa o “fato” de qua região em que o Brasil está inserido deixou de ser pacífica. O ex-prefeito de São Paulo e “melhor mininstro da Educação”, segundo Lula, relembrou que não houve guerras na América do Sul desde a Guerra do Paraguai, entre 1864 e 1870.

Para Haddad, sob Bolsonaro, o País está se preparando para lutar pelos EUA contra a Venezuela, por petróleo. Definitivamente, “uma guerra que não é nossa, pois temos o Pré-Sal”.

Setores brasileiros já se insurgiram

Nem tudo está perdido. Tanto Haddad, quanto Boulos, relembraram que há pessoas mobilizadas contra o governo brasileiro desde o princípio. O ex-prefeito relembrou que no primeiro semestre de 2019, um milhão de jovens e professores foram para as ruas contra os cortes de verba. Depois, as torcidas organizadas ocuparam as mesmas ruas contra o fascismo. E mais recentemente, os entregadores se manifestaram demonstrando consciência política, mostrando assim que o combate ao fascismo é a defesa de direitos.

 Todavia, Haddad alertou: “Vai chegar o momento que teremos que ir às ruas em defesa dos Bancos Públicos”. Segundo ele, o governo não vai parar de tentar as privatizações e a retirada de direitos do povo brasileiro. E finalizou com uma mensagem de união: “Se estivermos juntos, podemos refrear esse governo e garantir a democracia”. 

22ª CNB é momento de união entre bancários e a sociedade

Durante as primeiras falas do evento, o presidente da Fenae, Sérgio Takemoto, trouxe um breve histórico da luta dos bancários. Relembrou que durante os governos Lula e Dilma, a categoria lutava por aumentos e direitos. “Depois do golpe, só temos lutado para manter as nossas conquistas”, disse.

No mesmo sentido, prosseguiu: “Estamos hoje defendendo a vida dos trabalhadores e precisamos enfrentar um governo que não respeita a vida”.

Takemot retomou os momentos difíceis pelos quais a categoria lutou – como a redemocratização – e rafirmou: “Mais uma vez nos ergueremos para lutar por nossos direitos”.

Essa retomada histórica esteve em consonância com o encerramento da última fala de Lula: “Se preparem porque vocês têm muita luta pela frente para reconquistar a democracia”.