O incremento do fenômeno da precarização em meio à pandemia do novo coronavírus tem se tornado um dos focos de atenção do movimento sindical brasileiro.

“O tema da precarização está há algum tempo nas nossas preocupações. E a pandemia evidencia o que vínhamos falando”, declarou Sérgio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em uma reunião virtual de dirigentes sindicais realizada na tarde desta sexta-feira (22).

Adilson Araújo, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), qualificou a situação atual como “dramática”, cujos antecedentes, em sua visão, se localizam em 2016, quando uma visão anti-proteção social passou a imperar no País após a deposição de Dilma Rousseff (PT).

“Estamos diante de um quadro bastante adverso. Do ponto de vista da modernização, estamos vivenciando na prática um crescente número de trabalhadores em condições análogas à escravidão. Nós sabemos o quanto a precarização impacta o Brasil”, apontou.

Para Nobre, o atual cenário aponta para a “urgência de se debater o modelo de País que queremos, e como nos inserimos no mundo globalizado. Infelizmente, esse processo tem sido conduzido pelos interesses das multinacionais, com uma visão ultra-liberal”.

Isso significa, para o cutista, a necessidade de assumir um novo protagonismo, e novas formas, no sindicalismo: “Quem regula o trabalho, estabelece regras é o movimento sindical”.