Ante a constatação de que os efeitos da crise devem se prolongar e enquanto iniciativas de congressistas já debatem novos prazos para a concessão do auxílio emergencial, a equipe econômica do governo já admite a possibilidade de que o benefício seja prorrogado.

Entretanto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, defende que apenas mais uma parcela de R$ 600 seja concedida.

Mais precisamente, o chefe da equipe econômica tem defendido que o direito possa ser estendido por três meses adicionais, mas com o valor de R$ 200, montante originalmente defendido pelo governo – o valor de R$ 600 foi estabelecido pelo Congresso Nacional.

“Se voltar para R$ 200 quem sabe não dá para estender um mês ou dois? R$ 600 não dá. O que a sociedade prefere, um mês de R$ 600 ou três de R$ 200? É esse tipo de conta que estamos fazendo”, afirmou o ministro sobre a possibilidade de estender, durante uma reunião com empresários.

Guedes ainda tem verbalizado que o valor do auxílio emergencial deve se adequar a este patamar por este ser o teto do Bolsa Família. Nos cálculos governamentais, com este valor, seriam empregados cerca de R$ 40 bilhões divididos em três meses.

Ex-ministro da Fazenda, Nelson Barbosa defendeu em artigo que o direito seja estendido, no mínimo, até setembro: “Quando as pessoas puderem voltar às suas atividades sem correr grande risco de saúde, o auxílio emergencial se tornará desnecessário. Quando o governo dá R$ 600 para uma pessoa de baixa renda, a tendência é que essa pessoa gaste os R$ 600 com consumo, elevando o PIB no mesmo valor”.

A discussão sobre o auxílio emergiu em meio a tentativas de reformulação dos programas sociais do Brasil. As discussões, que já ocorriam antes da pandemia, tiveram dificuldades em avançar.

Enquanto economistas de diversas correntes defendem que o auxílio estatal à economia deve ser incrementado, Guedes insiste na expectativa de que a economia brasileira pode ter uma rápida retomada.

Em sua visão, a economia fará uma curva em “V”, mas, segundo ele mesmo, um “V da Nike”: uma grande queda com uma recuperação gradual. Guedes, assim, diverge das análises, cada vez mais consensuais, de que as curvas terão formato de “U”, ou seja, um tombo abruto seguido de um possível período de estagnação antes de uma possível retomada.