Diversos partidos de esquerda – em conjunto com juristas e mais de 400 entidades da sociedade civil – protocolaram na manhã desta quinta-feira (21) um pedido de impeachment.

Assinaram o pedido as seguintes legendas: PT, PC do B, PSOL, PSTU, PCB, UP e PCO. A deputada petista Natália Bonavides (RN) ressaltou se tratar do “pedido mais representativo, com maior número de entidades” protocolado até o momento.

“Nós não gostaríamos de estar, nesse momento, tomando uma medida tão drástica. Mas se a oposição não agisse, estaríamos sendo omissos. A crise política está contaminando os esforços contra a pandemia. Bolsonaro é o maior obstáculo à defesa da vida”, disse Juliano Medeiros, presidente do PSOL.

Gleisi Hoffmann, presidente do PT, prosseguiu na mesma linha, afirmando que a saída de Bolsonaro é necessária para o enfrentamento da crise do coronavírus: “Ele não tem condições humanas de presidir o País. Não se coloca no lugar do outro. Briga com governadores, prefeitos, médicos, cientistas. Não consegue dar coordenação ao combate do coronavírus. Com Bolsonaro é impossível enfrentar essa crise”.

Paulo Teixeira (PT-SP) resumiu os argumentos do pedido em três eixos: “Primeiro, ataque às instituições democráticas. Segundo, crime de prevaricação e obstrução de Justiça. Terceiro: crime contra a saúde popular e boicote a todas as estratégias de prevenção da pandemia. Ele é um genocida”.

Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça e um dos juristas que assinou o pedido, reforçou a ideia de que processos de impedimento são traumáticos, mas, no caso de Bolsonaro, necessário: “Chegou a hora de assumi-lo. Bolsonaro não tem o tamanho para o cargo que ocupa. A crise sanitária foi a gota d’água. A nós interessa salvar vidas”.

Perpétua Almeida (AC), líder do PC do B, indicou que as iniciativas políticas da oposição não devem se encerrar no pedido protocolado. “Nós, junto com o impeachment, queremos imediatamente a instalação de uma CPI que apure os crimes cometidos pelo seu governo”, disse.

“O presidente se tornou não só um problema político, mas também um problema sanitário. Esse não é o único crime de Bolsonaro, mas é o mais dramático, está custando vidas”, resumiu Guilherme Boulos, do PSOL e do MTST.

Uma representante do Movimento Negro Unificado (MNU) ressaltou como o Governo Federal reforça desigualdades históricas: “O covid não é racista, mas o Brasil é. E enquanto ele continuar no poder, nosso povo vai continuar sofrendo. A população pobre e negra merece respeito e direitos”.