Pesquisa feita pelo Data Favela revela que 86% dos moradores de favelas entrevistados temem a falta de dinheiro para comprar itens básicos, como comida

O isolamento nessa quarentena contra o coronavírus já causa consequências na renda dos moradores das favelas brasileiras. Pesquisa feita pelo Data Favela revela que 72% dos entrevistados não têm renda nenhuma caso percam a fonte de sustento. Além disso, 86% temem a falta de dinheiro para comprar itens básicos, como comida.

O levantamento Coronavírus nas favelas reúne 1,14 mil entrevistas realizadas em 262 favelas de todos os estados brasileiros.

A falta de apoio do Governo Federal, com medidas efetivas que vão contribuir com a renda desses trabalhadores, está tirando o sono dessa população mais vulnerável. Isso porque 47% dos moradores são autônomos e somente 19% têm carteira assinada. De acordo com a pesquisa, 86% deles já sentiram algum impacto onde trabalham por conta do novo coronavírus.

Mais de 70% desses moradores dependem do trabalho para viver. Ou seja, não possuem nenhuma outra fonte de renda e, se não puderem trabalhar, não poderão pagar as contas básicas ou comprar comida.

Na última semana, o Governo Federal anunciou que iria criar um voucher de R$ 200 para os trabalhadores informais que não recebam o Bolsa Família nem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) enfrentarem essa crise. Mas, até o momento, essa proposta não entrou em prática.

De acordo com a ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, esse voucher de R$ 200 é absolutamente insuficiente. “Nós temos que garantir, na minha avaliação, no mínimo um salário mínimo para quem está no Bolsa Família, quem está no Cadastro Único e para os informais”, explica.

Desemprego

O desemprego no Brasil atinge cerca de 12 milhões de pessoas e a quantidade de trabalhadores autônomos atingiu 24,6 milhões, entre novembro de 2019 e janeiro de 2020. Já o emprego informal alcança 40,7% da população ocupada. O dado faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Uma crise como essa, causada pela pandemia, pode aumentar ainda mais a taxa de desemprego brasileira. O Data Favela escutou de 54% dos entrevistados que o medo de perder o emprego nesse momento é muito alto.

Como minimizar os efeitos da crise nas favelas?

Cabe ao Governo Federal analisar o cenário e desenvolver políticas públicas para apoiar todos os brasileiros da forma como cada um necessita. Uma alternativa defendida pelo ex-senador Eduardo Suplicy é a Renda Básica de Cidadania.

Com ela o Estado será o protagonista da ação que, mensalmente, distribuirá à população uma parte dos seus ganhos. A medida deve acontecer de forma gradual, de acordo com a Lei 10.835/2004.

No Crédito ou Débito – o podcast do Reconta aí – Suplicy explicou cada detalhe sobre o projeto de sua vida, a Renda Básica de Cidadania. Ouça aqui!

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