Tereza Campello destaca que é preciso amparar beneficiários do Bolsa Família, inscritos no Cadastro Único e trabalhadores informais e de baixa renda

O Governo Federal vem anunciando algumas medidas para minimizar a crise causada pelo coronavírus. Mas a população de baixa renda e os trabalhadores informais estão sendo deixados de lado.

Até o momento, o governo anunciou duas principais medidas para essa população mais vulnerável: aumento de um milhão de beneficiados do programa Bolsa Família e também a entrega de um voucher de R$ 200 para os informais que não recebam o Bolsa Família nem o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Um voucher de R$ 200 garante que uma família possa sobreviver ao longo de um mês? De acordo com a economista e ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, isso é absolutamente insuficiente. “Nós temos que garantir, na minha avaliação, no mínimo um salário mínimo para quem está no Bolsa Família, quem está no Cadastro Único e para os informais”, explica.

A ex-ministra destaca que é preciso amparar todos os beneficiários do Bolsa Família, as pessoas inscritas no Cadastro Único e todos os trabalhadores informais e de baixa renda.

Em 2019, o governo retirou 1,3 milhão de beneficiários do programa. Mas os cortes não pararam por aí. Os governadores do Nordeste reclamaram do corte de 96 mil benefícios do Bolsa Família, em meio a uma tesourada que em março atingiu mais de 158,4 mil famílias em todo o país.

Como fazer acontecer?

Campello explica que o Brasil é um dos poucos países do mundo que tem estrutura e está preparado para tomar rapidamente medidas com a população pobre. “Nós temos tecnologia, conhecimento e uma rede conectada com 5.570 municípios. Então, tem como fazer. Temos um Cadastro Único e temos como garantir que esse cadastro opere”, conta.

O pagamento de benefícios como o Bolsa Família e o BPC é feito pela Caixa Econômica Federal. Para Tereza, felizmente o Brasil ainda tem esse Banco Público que funciona na maioria dos municípios brasileiros. “Onde não tem Caixa, ainda temos correspondente bancário e uma rede de lotéricas. O que falta é vontade política, decisão e priorizar a população pobre”, alerta.

Tereza Campello alerta ainda que essas famílias precisam ficar em casa, assim como o restante dos brasileiros, para diminuir o impacto da pandemia no sistema de saúde público brasileiro.

Outros países

A crise afeta o mundo inteiro. Entretanto, a preocupação da maioria dos países com os trabalhadores e a população mais vulnerável vai na contra mão das ações realizadas pelo governo Bolsonaro.

Nos Estados Unidos, o governo vai dar US$ 1.200 para cada adulto e US$ 500 a cada criança com renda básica emergencial. A Argentina estuda pagar R$ 800 para os trabalhadores na informalidade e os autônomos. Já na Inglaterra, a ideia do governo é garantir até 80% do salário dos trabalhadores da iniciativa privada.