Com os impactos da disseminação do novo coronavírus causando cada vez mais incertezas no plano econômico, os Estados Unidos e o Reino Unido estudam implementar programas de renda básica universal. Os dois países, cujos governantes são vistos como exemplos pelo atual presidente brasileiro, debatem propostas mais avançadas que a anunciada por Paulo Guedes.

O governo brasileiro vem mudando ligeiramente sua postura em relação ao enfrentamento da crise, mas ainda é criticado pela timidez e volume das propostas, além do fato de que boa parte dos anúncios dizem respeito a verbas antecipadas ou remanejadas.

O ministro da Economia, no tema específico da renda básica, anunciou o gasto de R$ 15 bilhões para a iniciativa. Ao contrário de EUA e Reino Unido, apenas trabalhadores informais – que não recebam outros benefícios como Bolsa Família e BPC (Benefício de Prestação Continuada) serão beneficiários o que, segundo os cálculos da própria pasta, representarão R$ 200 para cada um, por três meses.

Steven Mnuchin, secretário do Tesouro dos EUA, o senador republicano Mitt Romney e o próprio presidente Donald Trump já sinalizaram para a possibilidade de uma renda universal de mil dólares. No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson, do Partido Conservador, também aventa a ideia, sem detalhar valores por ora.

Um dos principais problemas é identificar quem integra ou não o público-alvo da política brasileira. “Em um prazo curto, não é possível distinguir e identificar plenamente quem é o informal”, explica a economista Esther Dweck, professora da UFRJ.  

Tomando-se como base o Cadastro Único do Ministério da Cidadania, há 29 milhões de famílias listadas, 13 milhões já cobertas pelo Bolsa Família. De todos os cadastrados, 90% tem renda de até meio salário mínimo – aproximadamente R$ 522, mais do que o dobro do que prevê o Ministério da Economia.