Os primeiros dois meses de 2020 foram marcados por tensões entre o Palácio do Planalto e o Ministério da Economia. Como pano de fundo, houve divergências sobre o conteúdo e o ritmo de apresentação da agenda econômica do governo neste ano.

Apesar das negativas oficiais, desde que chegou à Brasília, o ministro da Economia, Paulo Guedes, ameaçou em algumas ocasiões abandonar a Pasta. A última delas ocorreu na terça-feira (18), ocasião em que Guedes foi convencido por Augusto Heleno (ministro do Gabinete de Segurança Institucional) e Luiz Eduardo Ramos (ministro da Secretaria de Governo), sob o argumento de que sua saída significaria a abertura de uma crise institucional.

A possibilidade de Guedes entregar o cargo estaria relaciona à divergência de métodos com Bolsonaro.

Guedes vê como necessário o aprofundamento da agenda liberal no País, apresentando o mais rápido possível propostas ao Legislativo. Bolsonaro entende que são necessários cálculos políticos que evitem possíveis desgastes com repercussões eleitorais.

O mais recente sintoma da discordância entre ambos foram as sucessivas – e contraditórias – sinalizações quanto ao método de apresentação da chamada Reforma Administrativa.

Após o novo ultimato de Guedes, Bolsonaro se comprometeu a liberar politicamente a divulgação da proposta da Reforma Administrativa, mas as tensões seguem em relação a outros pontos, como a defesa enfática do ministro da Economia da necessidade de privatização de Bancos Públicos.

Pressões

Em outra frente, agentes de mercado pressionam o Ministério da Economia para uma maior definição da agenda para 2020. As preocupações passaram a ser mais intensas a partir da apresentação do relatório da PEC do Fundeb, visto pelo setor como um indício de que a plataforma de restrição fiscal pode estar em risco, por conta da ausência de atuação política do Executivo junto ao Congresso Nacional.

De outro lado, reclamações de Bolsonaro têm chegado à imprensa, principalmente suas preocupações em relação aos índices do dólar e ao tamanho do crescimento da economia. Em sua visão, sem um cenário claro de retomada da atividade econômica, há o risco da oposição crescer nas próximas eleições de outubro. Para conter essa projeção, o presidente pediu a Guedes um crescimento do PIB de no mínimo 2% em 2020.

Publicamente, o ocupante do Planalto – ante declarações polêmicas de Guedes em relação a servidores públicos e trabalhadoras domésticas – afirmou que o comandante da Economia tem “problemas pontuais”.