Nesta sexta-feira (14), os petroleiros completam 14 dias em greve nacional em todo o Sistema Petrobras. A greve já atinge 113 unidades da petrolífera, com mais de 20 mil trabalhadores mobilizados.

A FUP  advertiu ontem (13), por meio de vídeo distribuído nas redes sociais, que a partir da próxima semana poderá haver uma crise no abastecimento de combustíveis devido à direção da Petrobras, que não aceita negociar com os sindicatos.

“Querem colocar a culpa de um possível desabastecimento de derivados de petróleo, ou seja, de combustíveis em nós, trabalhadoras e trabalhadores”, alertou Deyvid Bacelar, da FUP.

“Sim, é possível termos um desabastecimento do mercado de derivados de petróleo no Brasil a partir da semana que vem por conta da intransigência da gestão Castello Branco, que não quer negociar com a gente. Então, cidadão e cidadã, se preparem: abasteçam seus carros, comprem gás de cozinha porque eles querem promover, de forma premeditada, o desabastecimento para culpar cada um de nós que estamos neste movimento”, alertou.

Mobilizações

Os sindicatos da Federação Única dos Petroleiros (FUP) realizaram, nesta sexta-feira, atos em várias unidades da empresa exigindo a suspensão imediata das demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR).

Os petroleiros têm denunciado que a direção da Petrobras tem violado o acordo coletivo de trabalho (ACT) da categoria nos procedimentos adotados para a demissão dos mil funcionários da Fafen, cujo anúncio de fechamento levou a mais de 100 unidades da estatal a terem suas atividades paralisadas.

Os empregados da Fafen, segundo a FUP, têm recebido telegramas para comparecer em locais determinados pela companhia para serem desligados. Ainda de acordo com a entidade, o ACT estabelece que o processo de demissões seja acompanhado e homologado pelo Sindicato dos Químicos do Paraná.

A FUP também denuncia o fato de que trabalhadores afastados por doenças, incluído câncer, estão entre os que receberam as mensagens.

“A empresa não pagou o adiantamento dos petroleiros da Fafen no dia 10. Em contrapartida está distribuindo cheques de R$ 3 mil por dia a trabalhadores que permanecerem em seus postos de trabalho, além do adiantamento do Prêmio por Performance (PPP 2019), na tentativa de enfraquecer a greve”, complementa a organização.

Nesta sexta-feira, além de atos por todo o País, os grevistas no Paraná queimaram os telegramas recebidos.

No dia anterior (13), a FUP protocolou uma petição direcionada ao ministro Ives Gandra, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), reforçando a disposição de buscar uma solução para o impasse, desde que a Petrobras suspenda imediatamente as demissões na Fafen e “as medidas unilaterais tomadas contra os trabalhadores e que levaram a categoria à greve”.

No dia 31 de janeiro, véspera do início da greve dos petroleiros, cinco dirigentes sindicais se reuniram com a gestão de Recursos Humanos da estatal com o objetivo de reverter as demissões. Desde então, os sindicalistas aguardam dentro da sede da empresa uma resposta da gestão, apesar das ameaças de expulsão do local por parte da direção da Petrobras.