Taxa básica de juros – Selic – atinge o menor nível da série histórica; em comunicado, BC sinalizou que ciclo de cortes deve ser interrompido. Decisão vai dificultar ainda mais a vida de quem investe em renda fixa.

taxa básica de juros
Imagem: divulgação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu, nesta quarta-feira (5), a taxa básica de juros da economia de 4,50% para 4,25% ao ano. Este é o quinto corte da Selic nos últimos 12 meses, alcançando um novo piso da série histórica, iniciada em junho de 1996.

O corte já era esperado pela maior parte dos analistas de mercado. De acordo com o Banco Central, a decisão foi estimulada pelos dados de atividade econômica, que para o colegiado do Copom, indicam a continuidade do processo de recuperação gradual da economia brasileira.

O comunicado do BC, divulgado ontem após o anúncio da nova taxa, reconhece que a inflação anda em baixa e que a economia brasileira ainda engatinha, o que justificou o novo corte. No entanto, o BC foi enfático em dizer que é “adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária”.

Os membros do Comitê enfatizam que os próximos passos continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação, com peso crescente para o ano-calendário de 2021.

O Copom se reúne a cada 45 dias para definir a Selic. Eles buscam o cumprimento da meta de inflação, que é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão formado pelo Banco Central e Ministério da Economia.

Veja como funciona o Copom.

Bancos reduzem tarifas

Quando a taxa de juros cai, a tendência é que serviços financeiros – como empréstimos e financiamentos – fiquem mais baratos. Tanto é que, logo após o anúncio do Copom, o Banco do Brasil, Itaú e Bradesco anunciaram a redução dos custos de linhas de créditos para pessoas físicas e jurídicas.

Investimentos

A redução da Selic vai dificultar ainda mais a vida de quem investe em renda fixa. Tanto a caderneta de poupança, quanto o Tesouro Selic e os fundos DI, que possuem taxa de administração acima de 1%, terão o chamado ganho real negativo. Isso quer dizer que o rendimento não vai superar a inflação.

Os retornos mais vantajosos ficam com as Letras de Crédito e Certificados de Depósito Bancário (CDB), conforme apurou O Globo.

taxa básica de juros

Taxas de juros pelo mundo

Agora com a Selic no menor patamar já visto, o Brasil passou a ocupar a nona posição no ranking de países com as maiores taxas de juros reais (descontada a inflação) do mundo.

Levantamento do site MoneYou e da Infinity Asset mostra que o juro real do Brasil está hoje em 0,91%. No topo do ranking, que considera as 40 economias mais relevantes do planeta, estão o México (3,20%), a Malásia (2,30%) e a Índia (2,28%).