Japonesa Tokio Marine e brasileira Icatu serão sócias da Caixa Seguridade nas áreas de habitação e capitalização, respectivamente

Caixa Seguridade
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O presidente Jair Bolsonaro vem negando uma possível privatização da Caixa. Mas a realidade é que o governo está fatiando o Banco Público e privatizando algumas operações. É o caso da Caixa Seguridade, braço de seguros e previdência da instituição, que terá como sócias a japonesa Tokio Marine e a brasileira Icatu Seguros nas áreas de habitação e capitalização, respectivamente.

A representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano, explica que a Caixa Seguridade é a quarta maior empresa de seguros do Brasil. “É uma empresa em expansão e que já está na linha de frente do mercado. Portanto, não existe nenhuma justificativa, do ponto de vista da visão pública, para justificar ou autorizar essa privatização”, explica.

A parceria com a Tokio Marine foi anunciada no início de janeiro para vender seguro habitacional e residencial pelo prazo de 20 anos. A Caixa Seguridade terá 75% de participação na sociedade, enquanto a Tokio Marine deterá os demais 25%. A gestão e a governança serão compartilhadas entre as duas empresas.

Já o acordo com a Icatu Seguros foi anunciado pelo governo nesta segunda-feira (20). Assim como a Tokio, a Icatu ficará com 25% de participação na sociedade, deixando os 75% para a Caixa Seguridade. Pelos termos do acordo, a empresa poderá oferecer produtos de capitalização no balcão da Caixa Econômica.

Rita Serrano entende que essas sociedades irão causar vários problemas para a instituição. “Um deles é a sustentabilidade do Banco em um médio prazo. Quando você tem acionistas privados, o único interesse deles é o lucro. Mas o interesse da empresa pública tem que ser o investimento no País”, alerta.

Oferta Pública Inicial de Ações (IPO)

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A Caixa prepara para abril a abertura de capital da Caixa Seguridade e a expectativa é de que a empresa chegue valendo entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões. Esse será o primeiro IPO da história da instituição e da equipe econômica do presidente Bolsonaro.

Mas o que é IPO? É quando uma empresa vende ações para o público pela primeira vez. Também é conhecido como abertura de capital, já que é a primeira vez que os proprietários da empresa renunciam de parte dessa propriedade em favor de acionistas em geral.

Deputados são contrários à privatização da Caixa

Levantamento feito pelo site JOTA com parlamentares federais mostra que 62,4% deles são contrários à privatização da Caixa. Somente 33,6% dos deputados são favoráveis à desestatização e outros 4% não são nem contra, nem a favor.

A maior parte dos parlamentares que são favoráveis à privatização está na base governista (44,3%). Já na oposição, todos se dizem contrários à desestatização do Banco Público.

O site também questionou os deputados sobre a privatização do Banco do Brasil, Petrobras, Eletrobras, Correios e Serpro.