Aturdidos pela notícia de que o “Chefe da Secom recebe dinheiro de emissoras e agências contratadas pelo governo Bolsonaro”, fato revelado pela Folha de São Paulo no dia 15/01, os governistas parecem ter se esquecido de defender um dos principais temas que atingem a imagem do governo nas redes sociais: o anúncio de que militares da reserva seriam utilizados no atendimento ao público no INSS.

O tema, que chegou a estar 02h40 entre mais falados no Twitter no Brasil no dia 15, teve mais de 22,2 mil menções. O núcleo de dados do Reconta Aí analisou 61,32% (13,6 mil) destas menções (coletadas de 14 a 17 de janeiro), e o resultado foi que 86,16% eram contrárias à medida. Isso é o mesmo que dizer que, oito em cada 10 pessoas que comentaram o assunto são contra a ação de Bolsonaro. Foram analisadas mensagens no Twitter, em posts públicos do Facebook, blogs, Google News, vídeos no YouTube e sites jornalísticos.

Apesar de alguns órgãos e secretários (SECOMMinistério da Defesa e Rogério Marinho), jornalistas (Guilherme Fiúza), parlamentares (Bia Kicis) e bolsonaristas (República de CuritibaLeila AdadRenova Mídia e Terça Livre) ainda tentarem defender a medida, foram massacrados pela mobilização contrária. Entre os críticos que mais mobilizaram citações negativas ao assunto, estiveram lideranças políticas (Lula e Boulos), parlamentares (Sâmia BonfimPaulo Pimenta e Gleisi Hoffmann) e jornalistas (Bernardo Mello FrancoKennedy Alencar e Rita Lisauskas), além de cidadãos. 

“Deixa ver se entendi, o governo do Sr. Jair Bolsonaro fez a Reforma Previdenciária, quer fazer a Reforma Administrativa para enxugar a máquina pública, dispensou os estagiários do INSS que ganhavam R$ 400 para chamar militares da reserva ganhando 30% do salário deles. Por quê?”
, questionou a advogada Andréa Mello Brasil em uma das mensagens que predominaram nas redes sociais. 

INSS esteve entre os assuntos mais comentados da rede.

O culpado das filas do INSS

Muitas pessoas apontam que Guedes é responsável pelo caos que se instaurou na Previdência Social brasileira. Não é à toa que, de toda a repercussão sobre o anúncio, os termos Paulo e Guedes foram, respectivamente, o 7ª e o 8ª mais reproduzidos (imagem acima) perdendo apenas para Bolsonaro em 5º. “Volta da fila no INSS é responsabilidade de Paulo Guedes, que tem muito gogó e entrega pouco resultado“, comentou o jornalista Kennedy Alencar em seu blog.

A utilização de militares não resolverá a fila do INSS

“Em nome do corte de gastos, o ministro Paulo Guedes deixou de substituir os servidores que se aposentam. A medida criou um colapso administrativo e ressuscitou a fila do INSS”, escreveu Bernardo Mello Franco em post no O Globo“Só no ano passado, o órgão perdeu mais de seis mil servidores. A debandada era prevista desde que a Reforma da Previdência começou a tramitar no Congresso. Agora a falta de quadros é usada para justificar o apagão no atendimento”, completou. A publicação do jornalista (imagem acima) foi a menção que mais viralizou nas redes sociais em relação ao assunto. Além dela, o post do jornalista Kennedy Alencar e a coluna do Elio Gaspari na Folha de S. Paulo intitulada “A quitanda do INSS entrou em pane” também se destacam. 

Imagética

O estudo das imagens mais reproduzidas durante o dia do anúncio também é um indicador de que a repercussão foi mal para o Governo. A imagem mais reproduzida (à direita) é de um card produzido pelo PSOL, com a foto do presidente e do ministro rindo, legendada da seguinte forma: “Bolsonaro e Guedes fazem o Brasil caminhar para trás. Até a fila do INSS voltou”. É, temos de concordar, o Governo Bolsonaro parece que entrou em um moonwalk infinito desde sua posse.