Governo segue a tática do se ‘colar colou’ e mais uma vez planta na sociedade a discussão sobre a privatização de empresas públicas “caras” ao povo brasileiro.

A privatização das empresas públicas brasileiras é um cabo de guerra entre Paulo Guedes e a sociedade.

Segundo matéria publicada pelo jornal O Globo nesta terça-feira (3), o ministro da Economia, Paulo Guedes, está tentando convencer o presidente Jair Bolsonaro a privatizar mais.

O alvo dessa vez é o Banco do Brasil, que já teve sua privatização considerada inevitável pelo presidente do banco, Rubem Novaes.

De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, a inclusão do banco entraria em uma lista de nomes que devem ser enviados ao Congresso no ano que vem.

Porém, além de Jair Bolsonaro, há outras pessoas que não querem a privatização, como os funcionários do Banco do Brasil e a sociedade.

Privatização não aumenta a competitividade e não resolve juros altos

João Fukunaga, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), condena a atitude. “É absurda a tentativa de privatização dos maiores patrimônios públicos do Brasil, como a Petrobras, o BB e a Caixa Econômica Federal. Eles correspondem a um percentual enorme do Tesouro Nacional”, disse, referindo-se aos balanços positivos das três estatais no último período.

Sobre as justificativas para a privatização, estaria o bem estar do cliente. Quem defende a privatização acredita que um maior aumento de competitividade entre os bancos baixaria os juros para os clientes.

“É improvável que esse tipo de política abra crédito mais barato, pois o Banco do Brasil e a Caixa já respondem por políticas de crédito mais baixo. Essas linhas, inclusive, estão disponíveis aos bancos privados, que não as exploram por falta de interesse nesse tipo de política”, acrescenta.

Fukunaga também ressaltou o papel dos bancos públicos como a Caixa e o Banco do Brasil na regulação do mercado financeiro brasileiro. “Sem os bancos públicos, a competitividade do setor financeiro irá acabar”, disse.

Ele também relembrou a pluralidade de bancos que existiam no Brasil antes de 1989, quando havia uma maior competitividade entre as instituições. Com a falência desses bancos nacionais e a compra de seus setores mais rentáveis pelos bancos de famílias brasileiras, o mercado diminuiu.

Como consequência, a bancarização das pessoas ficou a cargo somente dos bancos públicos e o crédito, mais elitizado no País.