Na internet, já circulam os memes sobre churrascos e festas de fim de ano onde os ovos são as “estrelas da festa”, já que a carne, em breve, ficará mais distante de fazer parte do dia a dia de consumo de grande parte dos brasileiros.

Para os especialistas, o preço da carne pode ficar alto por anos. No mercado atacadista, a alta foi de 22,9%, em média.


Esse aumento expressivo do preço da carne é devido a vários fatores, desde a valorização do dólar, até o crescimento da demanda por causa do Natal e o aumento das exportações para a China. E os fatores estão interligados.


Atualmente, a China passa por uma crise com a febre suína africana, que reduziu seus rebanhos de porcos pela metade. Com isso, passou a importar mais carne suína e também de aves e bois.

Vai para a China


Com o dólar nas alturas, é mais vantajoso para os produtores brasileiros mandar toda a carne para a China e deixar muito pouco por aqui, o que gera aumento de preços, principalmente no Natal.


Mesmo assim, o presidente Jair Bolsonaro declarou que não vai atuar para abaixar o preço da carne. “Quero deixar bem claro que esse negócio da carne é a lei da oferta e da procura. Não posso tabelar, inventar. Isso não vai dar certo”, disse voltando ao Alvorada, no dia 30.

O professor Mauro Rochlin, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), fala sobre o tabelamento. “A experiência mostra que iniciativas desse tipo, na verdade, diferentemente de segurar o preço da carne, acabam por criar desabastecimento, já que a venda no mercado interno se torna desvantajosa”, explica.

“A carne estava muito barata”, diz ministra


A ministra Tereza Cristina, da Agricultura, disse em entrevista ao portal Poder 360, que a carne “ficou por três anos com valor muito baixo” e que não voltará à média anterior.


A declaração parece ainda mais greve quando dados mostram que, por meio da Pnad Contínua, o Brasil atingiu recordes de desigualdade. Em 2018, cerca de 104 milhões de brasileiros viviam com apenas R$ 413 mensais.


Para Rochlin, há ganhadores e perdedores em posições muito claras nessa equação. “Os ganhadores são os exportadores, produtores de carne, que veem os preços subindo. Os perdedores são os consumidores, que já encontram preços mais caros no mercado”, diz.


A grande parte dos brasileiros, que já sofre com a desocupação e com a baixa remuneração, agora deve se preocupar com o preço do dólar.