O presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, anunciou na manhã desta segunda-feira que irá taxar novamente todo o aço e alumínio importados do Brasil e da Argentina. Mas por quê?

Trump acusa Brasil

Trump afirma que houve uma “desvalorização maciça” das nossas moedas, o que não é bom para o mercado norte-americano.

Afinal, com o dólar em alta, o real fica desvalorizado, o que torna os produtos brasileiros mais baratos no mercado exterior. Consequentemente, prejudica os produtores norte-americanos, dificultando a competição por lá.

Mas como tudo isso começou? Foi assim: em agosto de 2018, o governo Trump anunciou uma redução das taxas sobre importação de aço e alumínio do Brasil e da Argentina. Assim, empresas dos EUA não precisariam mais pagar imposto de 25% sobre o preço original do produto, caso as mesmas comprovassem falta da matéria-prima naquele mercado.

E eu com isso?

Atualmente, os Estados Unidos são os maiores compradores do aço brasileiro, movimentando US$ 2,6 bilhões por ano. O retorno dessa taxação causa impacto direto sobre o mercado brasileiro e o nosso PIB.

Sendo assim, não parece que esse cenário mudará em breve. Na última projeção do boletim Focus, do Banco Central, a moeda americana fechará o ano em R$ 4,10.

Em março do ano passado, Trump já sinalizava mudanças para o setor metalúrgico. “Não podemos deixar que tirem proveito do nosso país, empresas e trabalhadores”, afirmou o presidente no Twitter.

Essa mudança poderá impactar diretamente a cadeia do sistema produtivo. Segundo Marcelo Toledo, da Fitmetal, a previsão é que tais restrições deixem até 300 mil trabalhadores sem emprego no Brasil.

Discutir com Guedes para não recuar

Basta agora saber o que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, fará para reverter a decisão de Trump. Questionado, ele afirmou que irá conversar com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e depois dará uma resposta “para não ter que recuar”.

A situação pode piorar ainda mais pelo cenário político latino-americano. Se Bolsonaro tivesse um bom relacionamento com o presidente eleito na Argentina, Alberto Fernández, poderia agir em conjunto. Fernández tomará posse em oito dias. Bolsonaro avisou que não participará da cerimônia.