De acordo com reportagem do Poder 360, comparando os balanços dos cinco maiores bancos do País, estes fecharam 611 agências e demitiram mais de cinco mil funcionários num período de 12 meses.

O campeão no fechamento de postos de atendimento foi o Banco do Brasil. Do terceiro trimestre de 2018 ao mesmo período deste ano, passaram de 4.147 para 3.684 unidades -recuo de 11%. O número de funcionários caiu de 97.232 para 93.872.

Menos 1.200 agências até o fim de 2020

A expectativa é de que os bancos fechem 1.200 agências até o fim do próximo ano. O presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, vem repetindo em entrevistas que a Caixa é o “banco da matemática” e admitiu a hipótese do fechamento de agências se, pelas contas, for considerado uma iniciativa oportuna.

Juntam-se a isso os PDVs, Programas de Demissão Voluntária, oferecidos pelas instituições financeiras. Somente neste ano, a Caixa deve diminuir mil funcionários, em meio à mega operação dos saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Desligamento de funcionários prejudica cidadãos

Desde 2014, a CEF perdeu cerca de 15 mil funcionários e passou de 101 mil, em 2014, para 85 mil empregados, em 2018. Funcionários da instituição reclamam da carga de trabalho, que acarreta na piora do atendimento à população e traz impacto negativo para a saúde dos empregados.

Para Dionísio Reis, Coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, os PDVs são inapropriados, já que os bancos precisam de mais funcionários. “A nossa luta é para melhores condições de trabalho e de atendimento à população. Para isso, precisamos de mais trabalhadores e não menos. Esta redução prejudica não só os trabalhadores que ficam, como também a população, que é prejudicada diretamente”, diz.

Veja também: Bancários têm 96% de probabilidade de serem trocados por máquinas

Tecnologia tem sido usada como desculpa

A justificativa dos dirigentes para a diminuição do quadro de funcionários e do número de agências e postos de atendimento está ligada à tecnologia. Uma pesquisa da Deloitte com a Febraban mostra que 60% das transações bancárias já são feitas por canais digitais.

No entanto, é preciso ter em mente que a tecnologia não substitui totalmente a mão de obra humana, principalmente em um País em que 30% das pessoas ainda não têm acesso à internet e que carece de cidadania bancária, principalmente em suas regiões mais afastadas. E levar cidadania bancária a essas pessoas é função dos bancos públicos, por meio de agências e postos de atendimento.

É necessário requalificar quem perde o emprego por causa da tecnologia

É oportuno ressaltar aqui as palavras do economista Claudio Adilson Gonçalez, em artigo para o Estadão. “A mão invisível aloca os recursos onde estes são mais produtivos, cria novas tecnologias e acende a chama do empreendedorismo, mas não lida bem com questões de desigualdade e pobreza”, diz.

Para ele, é necessário que haja um “retreinamento e requalificação de pessoas que perderam seus empregos em virtude das novas tecnologias”. Isso também é fundamental para pensarmos o Brasil sob o viés da diminuição das desigualdades. E os bancos, fundamentalmente os bancos públicos, estão no centro dessa questão.