Além de comentar o resultado do terceiro trimestre, Pedro Guimarães, presidente do Banco Público, disse que demanda por PDV existe

A Caixa Econômica Federal anunciou lucro líquido de R$ 8 bilhões no terceiro trimestre do ano, um crescimento de 66,7% quando comparado ao mesmo período do ano passado.

Ao divulgar o resultado consolidado do período, a Caixa também anunciou, nesta terça-feira (12), redução de 63% na taxa do cheque especial, para 4,99% ao mês.

PDVs

Na coletiva de imprensa, realizada em São Paulo, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, foi questionado sobre o Programa de Demissão Voluntária (PDV), disponibilizado pela instituição. Guimarães disse ser uma demanda dos funcionários antigos, mas que não afeta o atendimento à população.

A Caixa vem sofrendo há tempos com a redução do seu quadro de empregados, o que traz impacto negativo para o atendimento do público e para a saúde dos bancários.

Pedro Guimarães também anunciou a contratação de 2.800 aprovados no concurso de 2014, mas assumiu que não cobre o déficit deixado com os PDVs.

IHCD

Em relação aos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD), assunto recorrente nas coletivas da instituição, Guimarães voltou a ressaltar o pagamento de R$ 12,5 bilhões que pretende fazer à União nos próximos meses.

Maria Fernanda Coelho, ex-presidente da Caixa, explica que a devolução do recurso enfraquece a instituição e penaliza o povo, já que esse dinheiro é direcionamento principalmente para investimentos em saneamento básico, habitação popular, financiamento de material de construção e financiamento de bens de consumo para beneficiados do Minha Casa Minha Vida.

“Pedro Guimarães faz um jogo de palavras irresponsável. Busca escamotear sua incompetência. Todos sabem que o IHCD resultou em maior capacidade da Caixa em atender a cidadã, o cidadão brasileiro, operando com maestria e competência políticas públicas, habitação, saneamento e infraestrutura. Única coisa que essa gestão consegue fazer é pilhar a Instituição”, declarou, em entrevista ao Reconta Aí.

Será o fim do MCMV?

Maria Fernanda também chama atenção para o baixo número de unidades contratadas do Minha Casa Minha Vida junto à Caixa. O balanço apresenta 207,3 mil unidades habitacionais contratadas nos nove primeiros meses deste ano.

O programa Minha Casa Minha Vida foi criado em 2009 e completou 10 anos em março, com cerca de 5,5 unidades contratadas.

O Orçamento apresentado por Jair Bolsonaro para 2020 também mira os programas sociais e “passa a tesoura” no MCMV, que deve ter o menor orçamento de sua história.  

A previsão para o programa habitacional caiu de R$ 4,6 bilhões, em 2019, para R$ 2,7 bilhões na projeção do próximo ano. Até 2018, o investimento, em média, era de R$ 11,3 bilhões.

Além do orçamento menor destinado ao programa, as construtoras reclamaram, este ano, do atraso de repasse de recursos por parte do governo federal.