Desastres Ambientais: Brasil 2019 é uma websérie com Suely Vaz, ex-presidente do IBAMA, que faz um balanço dos principais desastres ecológicos do ano. No segundo episódio, ela fala sobre o desastre de Brumadinho.

Uma das maiores tragédias desse ano foi o estouro da barragem de Brumadinho. As perdas de vidas humanas, ambientais e econômicas são incalculáveis. Especialistas apontam que a lama tóxica – que soterrou a cidade de Brumadinho – foi de responsabilidade da Vale.

Recentemente, a Agência Nacional de Mineração (ANM) concluiu o relatório técnico que fala sobre o histórico da barragem I do complexo Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, que se rompeu em janeiro deste ano.

Segundo a ANM, “algumas informações fornecidas pela empresa Vale S.A. à ANM não condizem com as que constam nos documentos internos da mineradora. Se a ANM tivesse sido informada corretamente, poderia ter tomado medidas cautelares e cobrado ações emergenciais da empresa, o que poderia evitar o desastre”.

A Vale foi criada em 1942 para explorar o minério de ferro na região de Itabira, Minas Gerais. Ela foi privatizada em 1997, entre protestos políticos e populares. Mesmo antes dos desastres de Mariana – em 2015, e de Brumadinho – em 2019, ela já era considerada por movimentos sociais da Amazônia “a pior empresa do mundo” no que refere-se a direitos humanos e meio ambiente. Em 2012, recebeu o ‘prêmio’ de pior empresa do mundo pelo Greenpeace e pela Declaração de Berna.

O desasastre de Brumadinho

Brumadinho é uma cidade mineira que possui população estimada de 40.103 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Fica na região de Belo Horizonte, a capital de Minas Gerais, e é cortada pela Rodovia do Minério. Possui grandes mananciais de água que abastecem a região mais populosa do estado.

A principal atividade econômica da cidade é a mineração. Em 2017 recebeu, a título de compensação ambiental, cerca de R$ 35,6 milhões. O rompimento da barragem mudou o panorama de toda a região.

Atualmente, Brumadinho lida com a morte de quase 300 moradores da cidade e também com os rejeitos tóxicos que poluíram o Rio Paraopeba e inviabilizaram a agricultura familiar, além do fornecimento de água limpa.

Documentos atestam que a Vale tinha conhecimento da instabilidade da barragem, mesmo antes do rompimento. Mesmo assim, não retirou do caminho da ‘lama’ o refeitório da empresa nem o escritório administrativo. E, segundo Suely Vaz, “aí está o crime”.

Suely Vaz, como Consultora Legislativa da Câmara dos Deputados, participou da CPI de Brumadinho, teve acesso a todos os relatórios e, com seu conhecimento, ajudou a elaborar o relatório final que propõe o indiciamento da Vale, TÜV SÜD e de mais 22 pessoas pelo crime.

Até agora, foram identificadas 252 pessoas mortas, sendo que o Corpo de Bombeiros continua as buscas por outras 18 pessoas desaparecidas. E, ainda, o que não aparece nas estatísticas: a morte de dois bebês nas barrigas das suas mães.

Acompanhe o segundo episódio de Desastres Ambientais: Brasil 2019!