Presidente do Banco Central disse que o cheque especial onera os mais pobres; 44% do crédito são usados por quem ganha até dois salários mínimos.

O cheque especial deverá passar por uma reformulação. Segundo o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, o cheque especial onera mais as pessoas de baixa renda. Ele também classificou o cheque especial como um “produto regressivo” porque quem está embaixo da pirâmide está sustentando quem está em cima e não usa o produto.

“Então o que acontece na prática? Na prática, quem tem um limite alto e nunca usa, tem esse benefício que está sendo custeado por quem tem um limite baixo e usa muito”, disse, ao participar nesta quarta-feira (6) de audiência na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados..

Ainda de acordo com o presidente do BC, 44% do crédito do cheque especial são usados por quem ganha até dois salários mínimos, sendo que metade dos devedores fica até um ano devendo, pagando taxas de mais de 300%.

Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) apontou que o empréstimo pessoal contraído em bancos e financeiras tem sido o principal responsável pela negativação de CPFs no País, ou seja, 69% dos usuários desta modalidade de crédito estão com restrição no nome.

A pesquisa mostra que 52% dos entrevistados estavam negativados por conta do cheque especial.

Recentemente, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em entrevista à Folha de S.Paulo que “os ricos capitalizam seus recursos e os pobres consomem tudo”.

Ele também afirmou que “um menino de 13 anos sabe que é um ser de responsabilidade quando tem que poupar”.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) existem, hoje, 12,5 milhões de desocupados no Brasil. Já a população ocupada bateu o recorde da informalidade, com 11,8 milhões de empregados sem carteira assinada no Brasil.

Essa realidade faz com que os brasileiros priorizem outras coisas, como a própria alimentação, não havendo espaço para investimento. Além de recorrerem ao crédito para pagar suas contas.