O ministro da Economia, Paulo Guedes, deve encaminhar nesta semana ao Congresso uma série de medidas que, segundo ele, darão início a uma “tardia Reforma do Estado”.

A explicação foi dada em uma entrevista concedida neste domingo (3) à Folha de S. Paulo. Além de mencionar que acabará com a estabilidade dos servidores públicos, Guedes disse que “os ricos capitalizam seus recursos e os pobres consomem tudo”.

Ele ainda disse que “um menino de 13 anos sabe que é um ser de responsabilidade quando tem que poupar”.

A situação do desemprego no Brasil

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) existem, hoje, 12,5 milhões de desocupados no Brasil. Ainda de acordo com o IBGE, a população ocupada bateu o recorde da informalidade: são 11,8 milhões de empregados sem carteira assinada no Brasil.

Essa realidade faz com que os brasileiros priorizem outras coisas, como a própria alimentação, por exemplo. E isso faz com que não exista espaço para investimento.

Maioria não consegue poupar por causa da baixa renda

Uma pesquisa divulgada na semana passada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que apenas 21% dos brasileiros conseguem poupar dinheiro. A renda baixa é a principal razão disso.

De volta à alimentação, o Dieese mostra que o salário mínimo necessário, em setembro, para garantir o sustento e a cidadania dignas para as famílias deveria ser de R$ 3.980,82. Hoje, o mínimo está congelado em R$ 998,00, aproximadamente 1/4 do que deveria ser.

Ao acabar com a política de valorização do salário mínimo, o governo de Jair Bolsonaro torna impossível para a população brasileira fazer parte do discurso de Paulo Guedes. O pobre não consome tudo o que ganha, tem fome. E não tem emprego.