Nesta quarta-feira (16), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep) divulgou os locais de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será realizado nos dias 3 e 10 de novembro deste ano.

Enem é o segundo maior exame do mundo

O Enem é o segundo maior exame do mundo, perdendo apenas para o exame de admissão do ensino superior chinês. Ele permite a estudantes de todo o País a oportunidade de ingressar no ensino superior de instituições públicas e privadas do Brasil e de Portugal, onde 41 universidades já aceitam os resultados do exame como forma de ingresso.

Sem os Correios, Enem não estaria garantido

O que muita gente não sabe é que não existiria Enem sem os Correios. Isso mesmo, essa empresa – essencial para o País – é peça chave na distribuição das provas há 11 anos.

Por ser uma empresa pública, os Correios têm sua função social. Por isso, levam os cadernos de provas a lugares distantes do País, de difícil acesso.

Neste ano, mais de 1,7 mil municípios receberão o material, totalizando 10 milhões de cadernos. São aproximadamente 7 mil rotas de entrega e coleta, tanto aérea como terrestre e fluvial, sempre com escoltas – em parcerias com as forças de segurança do Exército Brasileiro, da Polícia Rodoviária Federal, das Polícias Militares e dos Bombeiros dos Estados.

No dia da aplicação do exame, em uma janela de apenas três horas, os Correios entregam as provas em mais de 10 mil pontos de aplicação, no mesmo horário, e, após a finalização, realizam a logística reversa.

Essa não é a única atribuição importante da empresa, que realiza outras operações complexas de logística pelo País. Mesmo assim, os Correios estão na mira das privatizações de Bolsonaro e Paulo Guedes.

Privatizar os Correios seria catastrófico para o País

Para Marcos César Alves Silva, vice-presidente da Associação dos Profissionais dos Correios (ADCAP), privatizar a instituição seria catastrófico para o País e para a realização do Enem.

“A primeira coisa é que você não vai ter mais essa entidade única cuidando do processo. Existem várias regiões em que os Correios atuam por opção social”, argumenta.

Marcos César também explica que a privatização poderia ser onerosa para o próprio País. “Onde não dá lucro, a iniciativa privada não vai ou repassa para os Correios. Nos rincões do País, quem chega são só os Correios que, inclusive, são usados pelas multinacionais. Se você coloca uma entidade privada no lugar, não tem garantia de presença no País todo, a não ser que o governo banque isso. Hoje, os Correios não cobram do governo pela interiorização dos serviços do governo”, diz.

César também lembra de uma característica importante da empresa pública: sua credibilidade. “Os Correios têm sua idoneidade como entidade pública, que a população confia, com trabalho sério e controle rigoroso. O fato de estarmos no Brasil inteiro, dá à empresa uma condição de logística que nenhuma outra empresa teria na mesma proporção”.

Muito além do Enem

Para além do Enem, a privatização dos Correios pode gerar o empobrecimento de parte da população, sobretudo nas pequenas cidades. Saindo delas para receber benefícios, as pessoas acabam comprando em outras localidades, fazendo o ‘dinheiro girar’ fora das suas regiões, diminuindo o comércio, o trabalho e a renda onde moram.

Vale lembrar também da inviolabilidade da correspondência. Entregar à iniciativa privada o cuidado com informações secretas, como prestação de contas dos municípios, correspondências da justiça, entre outras, afeta a institucionalidade e a segurança das informações do País.

Conheça a campanha Todos Pelos Correios, uma iniciativa de brasileiras e brasileiros que reconhecem a importância da empresa pública para o Brasil.