Na tarde desta terça-feira (24), o economista Sérgio Mendonça foi o convidado da TV 247 para comentar o discurso desastroso de Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU.

Mendonça falou, principalmente, da preocupação com o tom de Bolsonaro em isolar o Brasil com seu discurso unilateralista, em consonância apenas com os Estados Unidos.

“O Brasil sempre conseguiu fazer esse debate e lidar com a correlação de forças. O que fica estranho nessa fala é que parece que há um claro alinhamento econômico com os EUA e um distanciamento com outros países. E isso terá consequências, no mínimo da incerteza que os investidores têm do Brasil. Essa visão muito limitada afasta o Brasil de tudo o que ele precisa em relação aos outros países”, disse.

O economista também falou sobre as inconsistências do discurso do Presidente da República quando fala em soberania nacional. “Como falar em soberania abrindo mão de empresas públicas e de setores estratégicos, como o energético, com a venda da Eletrobras e de parte do pré-sal?”, questionou.

Sérgio Mendonça explicou, mostrando a relação entre o crescimento do PIB e da população, porque diz que estamos 8% mais pobres desde 2014. “Em 2015 o PIB absoluto caiu 3,5%. Em 2016 o PIB absoluto caiu 3,3%. Em 2017 o PIB absoluto cresceu 1,1%. Em 2018 o PIB absoluto cresceu 1,1%. Isso significa que o PIB absoluto, ao final de 2018, estava 4,6% abaixo do PIB absoluto do final de 2014”, explica.

“A população brasileira cresceu 3,36% entre 2014 e 2018. Combinando o dado de queda do PIB absoluto (-4,6% entre 2014 e 2018) com o crescimento populacional de 3,36% (cerca de 0,8% ao ano), chegamos a uma queda de 7,7% do PIB per capita (por habitante) no período. Por isso digo que estamos cerca de 8% mais pobres, em média, em relação ao ano de 2014”.

Ele também explica que se as previsões de crescimento se concretizarem, terminaremos 2019 ainda mais pobres. “Se o PIB de 2019 crescer 1% (o mercado está prevendo 0,87%), o PIB per capita ao final de 2019 estará 7,5% abaixo do de 2014. Em outras palavras, ao final de 2019 estaremos 7,5% mais pobres comparados a 2014, apenas cinco anos depois”, disse.

Além disso, Sergio Mendonça comentou outros aspectos que permeiam a economia brasileira, como o alto índice de desemprego, o envelhecimento da população e a crença da equipe econômica de Bolsonaro na austeridade ultraliberal – a famosa fadinha da confiança.

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