Na última segunda, 16, uma pesquisa da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) trouxe um dado interessante: 70% dos entrevistados destacam economia de gastos como principal razão para adquirir itens de segunda-mão na web e 88% acham que atitude é vantajosa financeiramente.

O levantamento foi realizado em todas as capitais em parceira com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e revela que os produtos usados vêm ganhando espaço entre os consumidores online.

3 em cada 10 entrevistados comprou algo usado pela internet no último ano

Praticamente três em cada dez (28%) entrevistados adquiriram algum item de segunda mão pela internet nos últimos 12 meses da pesquisa — percentual que chega a 39% entre os mais jovens. O ranking dos objetos mais adquiridos é encabeçado por celulares ou smartphones (29%) e eletrônicos (27%). Em seguida aparecem roupas e calçados (26%), eletrodomésticos (18%), móveis (17%), além de brinquedos e artigos infantis (16%).

Os dados mostram que a crise também tem levado as pessoas não apenas a comprar itens usados como a vender suas coisas para conseguir uma renda extra. Cerca de 30% colocaram à venda itens pessoais em sites especializados. A principal razão apontada pelos adeptos da compra de usados pela web é a financeira: 70% destacaram a economia de gastos nas transações.

Facilidade pesa na hora de comprar e vender online

Fizemos uma pesquisa aqui na redação do Reconta Aí, onde a maioria da equipe já comprou ou vendeu alguma coisa online. Renata Villela, que é repórter, vendeu uma cama e uma bicicleta em 2018 pela OLX.

Ela relata que achou a transação vantajosa porque não teve que pagar comissão a um terceiro e também por causa do tempo reduzido de venda. Para Vilella, a crise tem feito com que as pessoas procurem mais por objetos usados. “Acho que com menos dinheiro na mão muitas pessoas têm se desfeito de objetos que não usam tanto e outras têm privilegiado o preço em detrimento do que é novo”, disse.

Dudu Lessa, que é social media e coordenador de comunicação, comprou um ar-condicionado portátil por meio do Marketplace do Facebook. Ele também achou a transação vantajosa e segura e concorda que a crise tem facilitado operações do tipo. “Há uma perceptível redução do poder de compra da população e os produtos usados são uma alternativa para quem deseja algo que não tem dinheiro para comprar”, declarou.

Cuidado com os golpes

Mas nem todo mundo tem experiências tão vantajosas. Têm sido cada vez mais comuns golpes em plataformas como o Mercado Livre, por exemplo. E-mails forjados levam os anunciantes a enviarem seus produtos a pessoas que não pagaram por eles.

Reprodução de um e-mail falso usado em golpe para roubo de smartphone

A plataforma não se responsabiliza por golpes desse tipo, tampouco a polícia diz ser possível rastrear essas pessoas.

Resposta do Mercado Livre a uma reclamação feita no consumidor.gov.br sobre um iPhone roubado

Gessica Daniel, que também é jornalista, teve dificuldades para vender um smartphone da marca Samsung pela internet no mês passado. Ela diz que recebeu o mesmo que a fabricante pagaria, o que mostra que a transação não foi vantajosa.

Gessica também foi abordada por golpistas pelas mesmas plataformas, OLX e Mercado Livre, mas como já sabia das fraudes, não foi lesada. Ela conta que tentou quatro plataformas diferentes até conseguir vender pelo Facebook.

“De todas a vezes que tentei, foi a mais difícil de vender. Antes vendia em uma semana ou menos, nunca demorei tanto tempo. Acho que até para comprar produtos usados as pessoas estão considerando mais tempo”, disse.

Para se proteger de golpes é fundamental prestar atenção às informações e não oficializar nenhum tipo de transação se tiver dúvidas quanto à veracidade das informações fornecidas para venda e compra. Em seus sites, plataformas como Mercado Livre e OLX oferecem dicas de segurança e informações detalhadas sobre como atuam nas transações online.