Na primeira proposta orçamentária do presidente Jair Bolsonaro para 2020, quem mais sofre são os programas sociais, voltados à população mais pobre e essenciais no combate às desigualdades. Os cortes afetam, principalmente, o Minha Casa Minha Vida e o Bolsa Família.

Tesoura nos programas sociais: MCMV

Criado há 10 anos, o Minha Casa Minha Vida deve ter o menor orçamento de sua história. A previsão para o programa habitacional caiu de R$ 4,6 bilhões, em 2019, para R$ 2,7 bilhões na projeção do próximo ano. Até 2018, o investimento, em média, era de R$ 11,3 bilhões.

Segundo a Folha de S. Paulo, ao ser questionado sobre novas contratações, o secretário especial adjunto de Fazenda do Ministério da Economia, Esteves Colnago evitou falar do assunto e disse que a prioridade é garantir as contratações já realizadas, indicando que o MCMV deve seguir o mesmo caminho do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Bolsa Família

Já em relação ao Bolsa Família, ficam reservados ao programa os mesmos R$ 30 bilhões deste ano. Na prática, representa perdas, já que não há correção pela inflação. Com isso, segundo um estudo realizado pelo próprio governo, o Bolsa Família beneficiará 13,2 milhões de famílias. Atualmente, são 13,8 milhões.

Fies

O Fies também sofre com a proposta. Em 2019, os recursos foram da ordem de
R$ 13,8  bilhões. Já para 2020, estão previstos apenas R$ 10,2 bilhões na proposta de Orçamento de 2020. 

Cortes em educação

O investimento em educação básica, profissional e superior também é menor para 2020. Está previsto R$ 1,9 bilhão para restruturação de universidades, obras e compra de equipamentos para o setor no ano. Em 2019, foram R$ 2,2 bilhões. Os números foram obtidos por analistas do Congresso com base na proposta enviada pelo governo, a pedido da Folha.

Nesse cenário de crise total, com um resultado muito aquém do esperado na economia, com cortes fatais para a produção científica no país e com uma crise internacional jamais vista por causa das queimadas na Amazônia, o governo investe mesmo é no desfile de 7 de setembro.

Não falta dinheiro pra propaganda bolsonarista

Falta dinheiro pra tudo, menos para a propaganda Bolsonarista. O contrato assinado pela gestão pública para a montagem e organização da cerimônia militar prevê um custo de R$ 971,5 mil, 15% mais do que no ano passado.

Nesta terça (03), em coletiva convocada para o lançamento da Campanha Semana do Brasil, uma espécie de Black Friday brasileira, Bolsonaro convocou os brasileiros a saírem vestido de verde e amarelo no próximo dia 7 de setembro. Prioridades.