Em entrevista à Folha, o economista Steven Neil Kaplan, da Universidade de Chicago, mostra os princípios norteadores da política econômica do ministro Paulo Guedes.

Uma das marcas da Universidade de Chicago para o mundo é o pensamento liberal. Atualmente a universidade tem aparecido com frequência na imprensa nacional, pois alguns dos mais importantes economistas do governo Bolsonaro estudaram na instituição.

A Escola de Chicago é a escola de pensamento liberal fundada por professores da universidade homônima. Teve como criadores e grandes expoentes George Joseph Stigler e Milton Friedman. Ambos têm seus maiores trabalhos confrontando o keynesianismo e o estado de bem-estar social.

Rubem Novaes (presidente do Banco do Brasil), Roberto Castello Branco (presidente da Petrobras), Gustavo Montezano (presidente do BNDES), além de Paulo Guedes, o ministro da Economia, passaram pela Universidade de Chicago, cuja orientação ideológica perpassa a frase dita por Steven Neil Kaplan.

Paulo Guedes, inclusive, estudou na prestigiada universidade com o programa de bolsas de estudo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Programa este, que atualmente está sendo “desfinanciado” pelo governo com cortes de orçamento aprovados pelo ele próprio.

Pensamento liberal que prevê rede de proteção do estado?

Na entrevista, o professor de empreendedorismo Steven Neil Kaplan afirma que os que mais sofrem as consequências de recessões são os ricos. Segundo ele, as recessões diminuem as desigualdades porque enquanto grandes investidores perdem dinheiro, os pobres são amparados pelas redes do estado.

A afirmação do professor expõe contradição: como confiar na proteção do estado se os liberais defendem o estado mínimo?

Ao contrário dos Estados Unidos, que possuem uma série de programas sociais assim como os países ricos, o Brasil e os outros países pobres estão privatizando seus sistemas e empresas públicas e acabando com a fonte de receitas para esses programas.

O Chile é o país em Guedes lecionou por um longo tempo e de onde tira inspirações. Além do legado de uma ditadura sangrenta, Pinochet deixou grandes reformas liberais.

As consequências da opção política de Pinochet são sentidas pelos chilenos até hoje: em 2013 o Chile foi eleito o país mais desigual do mundo. Além disso, o país que inspira Guedes tinha 39% da sua população sem nenhum tipo de seguridade social em 2004, algo que só foi sanado quando o estado interveio pagando um alto preço.

No Chile de hoje, dos 2,8 milhões de aposentados, 1,5 milhão necessitam de complemento do governo. Porém, como as pensões são privadas, os idosos não contribuíram ao estado para obter os rendimentos.

Laboratório da Universidade de Chicago?

Ao contrário das engenharias, da física e da medicina, não há como fazer testes nas ciências humanas. É imoral e antiético submeter pessoas à situações de risco só para obter validação de uma teoria.

Porém, a história mostra que a América Latina foi o laboratório dos liberais durante as ditaduras militares nos anos 1960/70/80. Ao que parece os países da América do Sul estão vivendo um novo ciclo de testes cujo risco são vidas.

Na entrevista à Folha, Steven Neil Kaplan falou que o dinheiro é mais importante que a mãe, mas desprezou a nossa ascendência latina. Se há uma coisa que une nosso continente é o apego às mães, e dinheiro nenhum as comprará.

A Universidade de Chicago não contava com a nossa astúcia! E nem com nosso apego às mamàs.
Mas se há uma coisa que une nosso continente é o apego às mães, e dinheiro nenhum as comprará.

Acompanhe na íntegra a entrevista aqui.