Na tarde desta terça-feira (20), o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, anunciou, ao lado de Jair Bolsonaro, uma nova opção de crédito imobiliário utilizando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) como indexador.

Hoje, os créditos imobiliários usam a Taxa Referencial (TR), mais estável do que o IPCA. O argumento do governo é de que o novo financiamento vai reduzir os juros para compra da casa própria, mas a medida pode gerar problemas como aumento da inadimplência devido à alta variação do IPCA.

A oscilação do Índice pode tornar o financiamento mais arriscado e caro ao cliente, principalmente porque os financiamentos de imóveis são longos, com duração de até 35 anos. Se a inflação dispara, o custo do financiamento também sobe.

A medida é mais uma das tentativas do governo de tentar aquecer a economia, que tem mostrado resultados muito diferentes daqueles prometidos por Jair Bolsonaro em campanha. Operação parecida fez estourar a bolha imobiliária nos Estados Unidos, em 2008, quando grandes bancos foram à lona por terem adquirido títulos podres de hipotecas americanas.

A quem é destinado o financiamento?

A Caixa concentra essa modalidade em quem tem maior poder aquisitivo, justamente pela alta volatilidade do IPCA. Financiamentos do Minha Casa Minha Vida, portanto, ficam de fora da nova modalidade.

Quem escolher o IPCA pode voltar à taxa pré-fixada?

Não. O consumidor deverá permanecer pelo mesmo sistema escolhido quando fechou o contrato.

Veja, no gráfico produzido pelo UOL, a diferença de variação entre o IPCA e a TR. Os dados são do Banco Central.

Para o economista Sergio Mendonça, medida deve ser encarada com cautela. “Muitas vezes o discurso é maravilhoso, mas a realidade é outra. E existirá um risco de que a inflação suba no futuro e a taxa variável suba junto com uma inflação mais alta. Aí o risco de inadimplência aumentará, pois os tomadores de empréstimos terão maior dificuldade de saldar esses empréstimos”, explica.