Os juros do cheque especial estão no maior nível desde que a série histórica começou a ser calculada pelo Banco Central, há 25 anos.

O cheque especial gera uma dívida difícil de carregar.

322,23% ao ano, quase 1% ao dia! Usar o limite do banco, prática corriqueira para pessoas endividadas, é a maior cilada que qualquer um pode cair na atualidade. Mesmo com a taxa básica de juros baixíssima – 6,5% ao ano – os juros do cheque especial subiram.

O cheque especial é um crédito automático na conta de clientes que não tenham fundos, mas precisam efetuar pagamentos ou transferências. Ele é acordado no momento da abertura da conta corrente ou a qualquer momento quando a pessoa já é correntista.

Cheque especial em alta é sintoma des escolha política sobre Bancos Públicos

Desde que os maiores Bancos Públicos do país, Caixa e Banco do Brasil, começaram a subir suas taxas de juros em financiamentos e empréstimos de todos os tipos, as instituições privadas se seguiram confortáveis para também fazê-lo.

Taxas mais baixas em empréstimos nos Bancos Públicos ajudam a regular os preços do setor bancário como um todo, já que o número de concorrentes nesse mercado é baixo. Os cinco maiores bancos do Brasil concentram 80% dos depósitos e empréstimos feitos no país, algo que eleva os preços repassados aos clientes das instituições.

Mesmo sendo um dos mais caros tipos de empréstimos disponíveis nos bancos, estudo aponta que até 10% do lucro líquido gerado pelo crédito no sistema bancário, provém do cheque especial.

A recessão também tem sua parte nesse problemão

Crédito caro inibe investimentos. Essa cantilena já foi repetida mil vezes por economistas e meios de comunicação, porém sempre aplicadas a grandes empresas. E a pessoa física, endividada e com dificuldades para se manter com um baixo salário?

Essa é uma questão relevante. Sem acesso à tarifas mais baixas, as pessoas acabam contraindo ainda mais dívidas e ‘se afundando’ em empréstimos bancários. Isso faz com que consuma menos e siga aprofundando o cenário de crise e possível recessão.