O ex-mininistro da Agrigultura Blairo Maggi, sócio da maior trading de agronegócio do Brasil e ganhador do ‘prêmio’ “Motosserra de Ouro” do Greenpeace, crítica política ambiental do governo Bolsonaro e diz que o agronegócio poderá ser afetado.

Blairo Maggi já foi o grande vilão "Motossera de Ouro" do Meio Ambiente no Brasil, agora pede calma ao governo por temor pela exportação dos produtos do agronegócio.
Blairo Maggi já foi o grande vilão do meio ambiente no Brasil, agora pede calma ao governo por temor pela exportação dos produtos do agronegócio.

O acordo entre Brasil e a União Europeia firmado esse ano na reunião do G20 está por um fio. Essa é a opinião do ruralista Blairo Maggi, um dos maiores produtores de soja do país. Segundo o ex-ministro, isso se deve à política ambiental adotada pelo governo e levada a cabo pelo atual ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Em entrevista concedida ao Valor, Blairo Maggi critica o tom usado pelo governo a respeito da questão ambiental. Segundo ele nada mudou, o que foi desmentido pelo monitoramento do INPE que aponta um brutal aumento no desmatamento da Amazônia.

Fonte: INPE

A motossera corta as vendas do agronegócio

A preocupação do ex-ministro mostra-se correta. Alemanha, França e outros países que compõe a União Europeia já criticaram o desmatamento na Amazônia e a liberação de agrotóxicos.

Não são só os governos que estão indignados com as políticas ambientais do Brasil. A motossera deixa o mundo indignado.
A Embaixada brasileira em Londres foi alvo de protestos de ambientalistas revoltados com o índice de desmatamento da Amazônia no dia 13/08.

O presidente francês Emmanuel Macron afirmou em coletiva que: “Não podemos pedir aos agricultores e trabalhadores franceses que mudem seus hábitos de produção para liderar a transição ecológica e assinar acordos comerciais com países que não fazem o mesmo. Queremos acordos equilibrados.”, fazendo clara referência ao Brasil.

A motosserra e o fim da amazônia incomodam o mundo.
Protestos contra navios carregando produtos agrícolas brasileiros já pocorreram inclusive no mar. Na pixação lê-se: assassinos de florestas.

Já com Ângela Merkel, a questão principal é sobre o Fundo Amazônia, cujo repasse da Alemanha foi suspenso em 2019 após idas e vindas sobre as mudanças propostas no fundo pelo governo brasileiro. Bolsonaro chegou a mandar um recado ontem (14) para a Chanceler: “Eu queria até mandar um recado para a senhora querida Angela Merkel, que suspendeu US$ 80 milhões para a Amazônia. Pegue essa grana e refloreste a Alemanha, ok?”.

A motosserra cortará também o Banco do Brasil?

O Banco do Brasil dispõe para o Plano Safra 2019/2020 de R$103 bilhões. O valor é destinado ao agronegócio e à agricultura familiar. Em 2018, o Banco respondeu por 60% do crédito para o agronegócio, que corresponde a 44% do total das exportações brasileiras e 23% do Produto Interno Bruto (PIB).

Os índices são poderosos, porém a política ambiental do governo gera uma dúvida fundamental: sem mercados que aceitem os produtos brasileiros, como os produtores rurais pagarão suas dívidas com o Banco do Brasil?

A participação da carteira do agronegócio no Banco Público é atualmente da ordem de R$ 184,8 bilhões. O agronegócio brasileiro é voltado à exportação, sobretudo a soja, laranja, café, bovinocultura e avicultura. Se realmente as previsões do “Motosserra de Ouro” estiverem corretas, a inadimplência poderá ser um grande revés para o BB, sobretudo para as políticas sociais nas quais ele investe.